Gabriela Pedroso
De Valônia (Bélgica)*

Um dos fatores fundamentais para a expansão econômica da Valônia nos últimos anos é a estrutura logística e de transporte da região. O setor, que integra um dos seis polos de competitividade locais, beneficia-se, principalmente, da localização estratégica da Bélgica no coração da Europa. A Valônia possui a rede rodoviária mais densa do mundo e permite alcançar 375 milhões de consumidores no continente em apenas 8 horas de carro.

Além do modal rodoviário, a região belga possui dois aeroportos de carga internacionais acessíveis 24 horas, todos os dias – situados em Liège e Charleroi, alguns dos principais municípios da Valônia –, e a plataforma Euro-Carex, responsável pelo transporte de cargas por trens. Outro meio de transporte fundamental para a conexão comercial da região com a Europa e o resto do mundo é o hidroviário.

A integração entre os modais disponíveis é, portanto, o ponto forte da região. Prova disso é que a brasileira Alpargatas resolveu instalar, em 2016, um Centro de Distribuição na plataforma multimodal Liège Trilogiport. “Há três coisas importantes quando o assunto é logística: localização, localização e localização”, define Bernard Piette, diretor-geral da Logística na Valônia, polo de competitividade da região dedicado aos setores de transporte, logística e mobilidade.

A Liège Trilogiport se localiza ao longo do canal Albert e integra três modais: rodoviário, ferroviário e hidroviário. Outro importante modal, o aéreo, é representado na região pelo Aeroporto de Liège, que possui conexão com mais de 60 cidades e explora, dentre outros nichos, um bem específico e de alto valor agregado, que é o transporte de cavalos para competições.

Indústrias valãs apostam no reaproveitamento do lixo

O desenvolvimento sustentável, com respeito ao meio ambiente, é hoje uma bandeira levantada em todo o mundo. E na Bélgica não é diferente. A região da Valônia possui várias indústrias dedicadas à criação de soluções para o melhor uso dos recursos e, dentro dessa filosofia, o ramo de reciclagem aparece entre os destaques. O aproveitamento inteligente ocorre não só com materiais tradicionais como metais, plásticos ou papel, mas também alcança o processamento industrial de resíduos médicos.

Localizada em Mons, a AMB Ecosteryl trocou o antigo negócio de produção de máquinas para a indústria extrativa pela fabricação de equipamentos destinados ao tratamento de resíduos médicos. Nos últimos dez anos, a empresa revolucionou o setor de reciclagem de materiais infecciosos, permitindo o redirecionamento dos resíduos para nova utilização.

Em uma outra área, mas ainda dentro da reciclagem, a Comet Traitements, no distrito de Charleroi, processa, em um ano, mais de 1 milhão de toneladas de materiais entre metais ferrosos e não-ferrosos. Parte da matéria-prima vem da coleta seletiva na Bélgica e da compra do lixo de outros lugares do mundo, como o Brasil, onde possui fornecimento de três sucateiros e também da Gerdau.

Nos últimos 7 anos, a Comet desenvolveu e aportou recursos em transferência de tecnologia. Entre os parceiros, mais empresas situadas no Brasil. “Temos contrato de colaboração de transferência de tecnologia no Brasil com a ArcelorMittal, em Juiz de Fora, e a Gerdau, nas unidades de Santa Cruz (RJ) e Piracicaba (SP)”, afirma o gerente de pesquisa e desenvolvimento, Pierre-François Bareel.

*Editora viajou a convite da Awex