Embora o espaço esteja próximo ao centro de Juiz de Fora, ele ainda é visto como “longe”, pois seu acesso é via BR-040 - Crédito: Divulgação

Com 13 anos de operação subutilizada e prejuízo mensal de R$ 80 mil para a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), o Expominas Juiz de Fora, na Zona da Mata, segue “existindo” sem um “plano de salvamento”. Depois de uma tentativa sem sucesso de licitar administradores para o espaço, em 2017, a companhia não tem previsão de novas licitações. O novo diretor-presidente da Codemge, Dante de Matos, também admite que a companhia ainda não sabe como resolver o problema.

Representantes dos setores de turismo, comércio e do poder público reclamam da demora para a solução do problema. O vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, Heveraldo Lima de Castro, chama o centro de “elefante branco” e cobra uma gestão mais eficiente para que o equipamento traga desenvolvimento para a economia local.

“É um instrumento do Estado que não funciona e ainda gera uma despesa grande. A solução seria passar para a iniciativa privada, mas é preciso que seja uma proposta interessante para que apareçam candidatos”, afirma. De acordo com a Codemge, a manutenção mensal do empreendimento demanda um investimento de R$ 120 mil da companhia, mas a média mensal de receita proveniente do espaço é de R$ 40 mil.

Para a presidente do Convention & Visitors Bureau de Juiz de Fora, Thaís de Oliveira Lima, a concessão para a iniciativa privada seria, de fato, a solução ideal. Mas, ela acredita que essa proposta não é a mais realista, haja vista o tamanho do desafio do espaço e a licitação frustrada em 2017.

“Não tem empresário aqui para assumir o Expominas, então a solução é a Codemge assumir e fazer o comercial funcionar. O espaço tem potencial, mas precisa de alguém que o venda no mercado”, afirma. A presidente lembra que, embora o espaço esteja próximo ao centro de Juiz de Fora, ele ainda é visto como “longe”, pois seu acesso é via BR-040. Mas, para ela, esse é um problema mais fácil de resolver.

“Com um bom marketing e estratégias de cessão de espaços para eventos locais é possível mudar essa visão e mostrar à população que esse é um espaço delas”, completa.

O Secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária de Juiz de Fora (Sedpa), Rômulo Veiga, explica que há um projeto de construção de uma via de acesso direta entre o centro de Juiz de Fora e o Expominas. A obra consiste na pavimentação da alameda Santo Antônio, entre a rotatória de acesso ao condomínio Alphaville e a entrada do Expominas, o que permitiria a chegada sem passar pela BR-040.

Mas ele afirma que, apesar de existir o projeto, não há previsão para a implantação dele justamente porque não há qualquer sinal de melhoria no funcionamento do Expominas.

“Essa obra é relevante, mas não mudaria as condições do centro de eventos, que está subutilizado. O modelo de gestão do Expominas deve ser discutido primeiro e, só depois, o planejamento dessa obra fará sentido. Do contrário, faremos uma intervenção custosa sem resultado algum”, frisa.

Burocracia – O tema burocracia também foi citado pelos três representantes dos setores de turismo, comércio e desenvolvimento do município. Todos falaram sobre a dificuldade de alugar um espaço no Expominas, o que também contribuiria para o afastamento dos clientes.

De acordo com a Codemge, há cinco etapas para a locação do centro: orçamento, envio de documentos, celebração de contrato, pagamento da locação e regularização do evento junto aos órgãos competentes, quando necessário. No site do Expominas, há um aviso que esse trâmite pode demorar até 30 dias, considerando o momento do primeiro contato até a assinatura do contrato.

“A concessão do espaço para a empresa privada é a melhor alternativa, pois ela terá uma agilidade que o poder público não tem. Na esfera governamental há amarras institucionais que são necessárias e protetivas, mas quando falamos de um mercado ágil como o de business eventos, elas são negativas”, destaca o secretário.

Alternativas – Por meio de nota, a Codemge afirma que estuda novas ações e formatos para que o espaço se torne mais atrativo “dentro da esfera de sua atuação como empresa pública”. A companhia informa, ainda, que não há definição ou previsão quanto à abertura de licitação para concessão do Expominas Juiz de Fora. Este ano, a previsão é de que sejam realizados 19 eventos no centro, sendo que, desse total, sete são formaturas.

Durante evento realizado pela Sociedade Mineira dos Engenheiros (SME), no dia 12 de agosto, o diretor-presidente da Codemge, Dante de Matos, afirmou que o Expominas Juiz de Fora gera prejuízo para a instituição e, ao ser questionado sobre o que aconteceria com o espaço, ele admitiu não saber e pediu sugestões.

“Já se gastou R$ 90 milhões nesse centro de convenções, ainda falta investir outros R$ 20 milhões e o negócio não tem movimento”, reclamou.

Na reunião com os engenheiros o diretor anunciou uma desmobilização racional de projetos considerados pouco estratégicos na Codemge, o que pode incluir alguns centros de convenções.

“Em São João Del-Rei aconteceu algo parecido: já foram gastos uns R$ 100 milhões no centro de convenções e ainda faltam R$ 30 milhões. São governos passados que tomaram essas decisões. A minha visão é de que uma cidade tem que ter pelo menos 300 mil a 400 mil pessoas pra ter um centro de convenções, senão não para em pé”, disse.

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