Will Araújo

Durante o segundo dia da EXPOSIBRAM 2019, o auditório Diamante abrigou a sessão plenária “O futuro do mercado de commodities minerais e as principais tendências atuais para a mineração”, em que Bárbara L. Mattos, vice-presidente Sênior da Moody’s Latin America, dividiu palco com Paul Fraser Robinson, diretor do CRU group, UK, e Roger Emslie, diretor de Metais & Consultoria de Mineração na Wood Mackenzie.

Em apresentação do ambiente oscilante proveniente das manobras de alguns países, Robinson hesitou em dizer que a atual tensão entre oferta e demanda — eixo da precificação dos commodities — poderá resultar em um período de recessão para a mineração. “Talvez, estejamos chegando ao fundo do poço dos commodities, ao fundo da curva de preço”, disse o diretor da CRU group, UK.

Entretanto, ele flertou com o otimismo ao citar as características de estabilidade de outros minerais, como alumínio e cobre, que variaram pouco durante os anos e podem continuar assim. Conforme Robinson, a aproximação de uma recessão levaria os commodities, previamente, a patamares menores do que os do ano passado, mas ainda teríamos um posicionamento positivo da indústria em relação há quatro ou cinco anos.

O diretor da CRU group, UK, ainda relatou que durante viagens e palestras sempre fazem a pergunta: “acontecerá uma recessão global?”. Ele responde em camadas e diz que para os Estados Unidos e Alemanha, há 1/3 de possibilidade de recessão, todavia, para outros países do G7 a estimativa é inferior a 20%. “Se acontecer, talvez, será na Alemanha, mas não acreditamos que ocorrerá”, afirma Robinson.

Outro assunto comum nas reuniões com o diretor da CRU group, UK, é o meio ambiente como norteador das atividades de mineração. Por isso, Robinson elenca algumas diretrizes a serem seguidas pelo setor para diminuir ainda mais a hipótese de uma crise. Entre elas, manter a disciplina e investir em metais premium e metais verdes.

No prolongamento da plenária, Emslie atribuiu a suposta futura crise à ciclicidade de recessões, que seguiriam a periodicidade de dez anos. Ressaltou que o enfrentamento precisa começar com muita antecedência e que esse olhar adiante deveria ser regra no setor.

Os metais tradicionais vêm caindo, estamos no fim de um superciclo de commodities e a demanda continuará em queda, mas acreditamos que se levarmos esse olhar precavido para o começo, no ciclo natural das minas, tudo pode mudar, disse o consultor da Wood Mackenzie.

Além disso, Emslie sugeriu que em 2028 a demanda por metais aumentará muito em algumas indústrias e o setor terá escassez de minerais, como os usados em baterias de veículos elétricos, os quais são promissores e serão, até 2040, 50% da frota global. Por isso, para atender o mercado, ele calcula que o investimento no crescimento deverá ser feito agora, com muita antecedência, e girará em torno de U$ 300 bi. Níquel e cobalto são exemplos de produtos que requerem atenção.

Para fechar a sessão, Mattos apresentou o mapeamento de crescimento em que o Brasil, México e Argentina apresentam cenários de crescimento inferiores e semelhantes na América Latina.