Projeto no Vale do Jequitinhonha terá aporte de US$ 30 milhões por parte da Mitsui para a primeira fase de implantação - Crédito: divulgação

A Sigma Mineração busca investidores para a primeira fase de um projeto que prevê aportes totais de R$ 500 milhões para produção do concentrado de óxido de lítio em Itinga, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a ser iniciada em meados de 2021. A informação é do diretor de sustentabilidade, Itamar Resende, que confirmou aportes da ordem de US$ 30 milhões, por meio da Mitsui, para a primeira fase do projeto.

“Estamos trabalhando em outras frentes de financiamento para completarmos o projeto nessa primeira fase, com custos estimados em US$ 90 milhões”, explicou durante a Exposibram, realizada em Belo Horizonte.

O projeto da Sigma prevê a produção de 440 mil toneladas planas de concentrado de lítio ao ano, sendo as minas nos municípios de Itinga e Araçuaí, com planta em Itinga, no Jequitinhonha. Em junho, a empresa obteve a licença de instalação (LI) e, no momento, segundo Resende, a empresa está “executando a parte de engenharia detalhada, juntamente com financiamento de uma parte do projeto”. O óxido de lítio é uma das principais matérias-primas para produção de baterias, com grande demanda no mercado internacional para produção de carros elétricos.

A expectativa, segundo o executivo, é de início de construção da planta já no primeiro trimestre de 2020, com previsão de início das operações em meados de 2021. A planta inicial vai produzir 220 mil toneladas de concentrado de lítio/ano. Após essa primeira fase, “com o processo estabilizado, mercado atendido, havendo espaço para expansão, imediatamente vamos partir para 440 mil toneladas ao ano”, explica, projetando para 2022 o início desse segundo momento nas operações.

De acordo com Resende, a Sigma fechou um acordo comercial com a Mitsui, por meio do qual vai comprar da mineradora um terço da produção inicial, podendo até ser um pouco mais. “Essa produção já está vendida, pois a Mitsui fez aporte de capital para iniciarmos o projeto de implantação”, explicou.

A Mitsui está investindo US$ 30 milhões na primeira fase. Mas, para alcançar o valor total de US$ 90 milhões pretendido nessa primeira fase, Resende informou que a Sigma já está trabalhando em outras frentes de financiamento.

A expectativa é de que, na etapa inicial, o empreendimento seja responsável por 500 empregos diretos, com perspectiva de outras 250 colocações no segundo momento do projeto.

“Para a região, será um grande impacto. A gente tem muita confiança e desejo de melhoria de oportunidades. E estamos estimando a criação de sete empregos indiretos para cada emprego gerado pela Sigma com o projeto”.

O principal mercado para a produção da planta, no Jequitinhonha, é a China.

“Outros centros de produção virão, mas, até o momento, é totalmente a China, que promoveu um incentivo tão grande que hoje o País conta com 176 fábricas de veículos elétricos. É o lugar onde está concentrado todo o esforço em massa dos carros elétricos na utilização das baterias”, sinalizou, lembrando que em outros países, como a Noruega, 50% do mercado automotivo já é formado por carros elétricos.

Projeções – Quanto a investimentos futuros, Resende reconhece o interesse de verticalização da produção, não só por parte da Sigma, mas de todos os produtores de concentrado de lítio no Brasil.

“Queremos chegar pelo menos na primeira fase do processo de fabricação da bateria que é a produção de carbonato ou hidróxido de lítio, que é um processo químico”, sinalizou. Segundo ele, há expectativas, mas a prioridade, no momento, foi ter uma mina capaz de produzir com quantidade, qualidade, longevidade e competitividade necessárias.

“Nossa concessão na região do Jequitinhonha é muito grande e temos espaço para identificar mais reservas e para aumentar ainda mais a produção e atrair investidores para a região, porque terão acesso a uma matéria prima com quantidade e qualidade por muito tempo”, projeta.

Segundo Resende, as reservas da Sigma são suficientes para cerca de 20 anos e é possível expandir esse prazo por meio de pesquisas, para as quais a empresa já tem concessão.

Sustentabilidade – Segundo Resende, a licença ambiental concedida em junho deste ano reflete a conduta da empresa, que desenhou a planta com perfil conservacionista.

“Nosso foco é a preservação do meio ambiente e a adoção de práticas operacionais que não causam impacto. Não há barragem, o empilhamento é a seco, e a água que puder ser reciclada, será reciclada”.

Bamin negocia criação de joint venture

A mineradora brasileira Bamin está em negociações para uma joint venture com diversos possíveis parceiros, que poderiam ajudá-la a financiar um projeto de minério de ferro de US$ 2,6 bilhões, disse seu presidente-executivo ontem.

A Bamin, que possui apoio da mineradora de capital fechado Eurasian Resources Group, negocia com um consórcio que compreende três diferentes empresas chinesas, disse à Reuters o CEO Eduardo Ledsham, confirmando notícias publicadas anteriormente na mídia.

Ele acrescentou, porém, que a companhia também está em “negociações avançadas” com outros três potenciais investidores estimulados pelos crescentes preços do minério de ferro, uma alta que foi em parte impulsionada pelo fatal rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) em janeiro.

“Não temos um arranjo exclusivo com os chineses”, disse Ledsham. “Nós temos agora outras opções, como resultado das mudanças no mercado do minério de ferro, que elevaram o interesse pelo projeto.”

Ledsham, ex-executivo da Vale, recusou-se a identificar as partes, citando acordos de confidencialidade.

O projeto da mina de Bamin, na Bahia, depende de dois importantes empreendimentos logísticos ainda não concluídos: uma ferrovia para levar o minério de ferro ao litoral e um porto de US$ 1 bilhão para exportá-lo.

O projeto foi inicialmente planejado em 2005, durante o “boom” das commodities, que levou os preços do minério de ferro a mais de US$ 180 por tonelada, ante níveis atuais de cerca de US$ 90.

Ele enfrentou diversos obstáculos ao longo dos anos, mas Ledsham disse que o contínuo interesse em persegui-lo pode ser explicado pela forte demanda chinesa pelo minério de ferro de alta qualidade que a empresa pretende produzir.

Entre a mineração e o embarque, a Bamin espera um custo interno de cerca de US$ 28 por tonelada, disse Ledsham, o que daria à companhia uma ampla margem de lucro mesmo se os preços caírem abaixo dos níveis atuais.

Ledsham disse estar confiante de que um leilão marcado para maio de 2020 para a concessão dos direitos sobre a ferrovia projetada prosseguirá como planejado, apesar de atrasos no passado, considerando especialmente a posição pró-mineração do presidente Jair Bolsonaro.

“Estamos vendo um desejo de fazer com que as coisas aconteçam”, disse Ledsham, que já liderou as pesquisas geológicas e minerais do Brasil.

O projeto, que se tudo der certo começará a produzir minério de ferro no primeiro semestre de 2025, vai utilizar barragens de rejeitos a jusante para processar o produto, uma decisão que data de antes da proibição regulatória às barragens a montante, formato envolvido em dois graves incidentes em minas da Vale nos últimos quatro anos.

“Queremos ser referência em termos de segurança”, disse Ledsham. (Reuters)