Para Roberto de Souza Pinto, não há como inovar e desenvolver novas aplicações tecnológicas sem investimento - Crédito: Divulgação

Marco zero da indústria de base tecnológica no Brasil, o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, projeta um faturamento de R$ 1 bilhão em novos negócios ao longo dos próximos 18 meses. O montante é o resultado de pesados investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento de produtos que as cerca de 150 empresas do Arranjo Produtivo Local (APL) fizeram, na média de R$ 300 milhões por ano, mesmo na fase mais aguda da crise econômica.

A disposição desses empreendedores em dobrar a aposta e seguir investindo permite que a cidade responsável por desenvolver a tecnologia do padrão brasileiro de TV digital, da urna eletrônica e atuar de forma pioneira na internet 5G, só para ficar nos exemplos mais famosos, siga desenvolvendo novos produtos e soluções baseados em tecnologia global de ponta. Entre os novos produtos estão soluções para indústria 4.0, Internet das Coisas, biotecnologia sustentável para o campo, o mais avançado equipamento eletrônico de medida protetiva para a mulher e eletromédicos de diagnóstico à distância.

Esses novos produtos e serviços poderão ser conferidos na 15ª Feira do Vale da Eletrônica (Fivel), entre os dias 20 e 22 de agosto. Organizada pelo Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), a feira está entre as mais importantes rodadas de negócios da indústria de base tecnológica no Brasil, com grande capacidade de influenciar dezenas de setores que dependem de plataformas tecnológicas para seguirem competitivos.

Para o presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto, não há como inovar e desenvolver novas aplicações tecnológicas sem investimento. Por outro lado, o ambiente colaborativo existente no Vale da Eletrônica é uma vantagem competitiva que, não apenas estimula a inovação, como garante dinamismo mesmo em momentos de crise.

“Ao colaborarem entre si e seguir inovando, atentas à vanguarda da tecnologia mundial, as empresas estão sempre um passo à frente e se mantêm competitivas mesmo em momentos de baixa atividade econômica”, avalia.

Não é para menos. Com investimentos mantidos, o berço da tecnologia de ponta no País segue empregando quase um terço da mão de obra da indústria eletrônica em Minas Gerais, com cerca de 14,7 mil pessoas atuando na produção de 14.500 diferentes produtos. Em 2018, as empresas que integram o APL faturaram R$ 3,2 bilhões.

Medicina e agronegócio – Com a tecnologia impactando todos os setores do mercado, novos segmentos começam a ganhar importância no Vale da Eletrônica, dois deles com especial destaque: medicina e agronegócio.

No caso da medicina, em 10 anos, o número de empresas de tecnologia voltadas para o setor passou de 5 para 24. Atualmente, empresas como a Ventrix com expertise em exames remotos, a qualquer dia, horário e local, simbolizam a tendência de expansão da produção tecnológica. A chamada telemedicina abre uma nova fronteira para o diagnóstico de doenças. Um dos impactos do seu desenvolvimento no Vale da Eletrônica é a substituição de equipamentos importados pelo produto nacional.

Tornozeleira eletrônica – A segurança pública surge como uma das grandes preocupações do atual cenário brasileiro. Para este segmento, a Fivel 2019 tem contribuições fundamentais. Dentre elas, está a tornozeleira eletrônica. Desenvolvida pela empresa Alarmes Santa Rita, com exclusividade para o sistema prisional brasileiro, custa um terço de seu equivalente importado.

Em meio à superlotação dos presídios e aos altos custos com os detentos, que chegam a custar R$ 2 mil por mês ao Estado, estima-se que o uso da tecnologia pela população carcerária nacional possa gerar uma economia de até R$ 7 bilhões por ano aos cofres públicos.

E a tecnologia da tornozeleira vai além. Combinada com um segundo equipamento, se transforma em um poderoso sistema de monitoramento para implementar com eficácia as medidas protetivas destinadas a mulheres sob risco de violência.

Funciona assim: uma tornozeleira eletrônica é colocada no potencial agressor enquanto um segundo equipamento fica em posse da mulher. Ele avisa com um beep (sinal sonoro) caso o agressor se aproxime da vítima, ultrapassando o raio de segurança delimitado pela Justiça. Um alerta também é enviado à central de monitoramento das autoridades. Além disso, o equipamento possui botão de pânico para acionamento da polícia em caso de emergência e, uma vez acionado, ele dá início à gravação de áudio que é enviado em tempo real para a central de monitoramento.

A solução se adéqua perfeitamente à Lei 13.827/19, que autoriza a aplicação de medida protetiva de urgência, pela autoridade judicial ou policial, à mulher em situação de violência doméstica, despontando como uma saída econômica e extremamente eficaz para o cumprimento da medida judicial de proteção à mulher.

Saídas inovadoras – Pilar da economia brasileira, o agronegócio enfrenta desafios para seguir elevando a produtividade e, ao mesmo tempo, reduzir seu impacto ambiental. No Vale da Eletrônica, surgem soluções inovadoras no campo de biotecnologia e sustentabilidade.

Um dos produtos em evidência na Fivel 2019, será um biocida de fonte renovável a partir de óleo de mamona. O produto pode ser utilizado para limpeza e desinfecção de equipamentos e superfícies, inclusive de setor alimentício. Trata-se de um produto atóxico.

Há ainda o ácido cítrico para aplicações no controle de doenças de plantas e aumento do tempo de estocagem. Os produtos são da BEE BIOecommitted Engenharia e Serviços. A empresa é um exemplo prático da sinergia existente na cidade entre Academia, Governo e Indústria, o que rende comparações com o Vale do Silício, na Califórnia (EUA). Ela surgiu na Incubadora Municipal de Empresas, na linha de Economia Criativa. Em breve, dará início às instalações das linhas de produção no Vale do Sapucaí.

Internet 5G, internet das coisas e indústria 4.0 – As vertiginosas transformações provocadas pela tecnologia na vida social e nos arranjos produtivos chegam à beira de um novo clímax com a internet 5G, a internet das coisas e a indústria 4.0. O mercado de trabalho será profundamente afetado por essas novas tecnologias e plataformas, com a eliminação de milhões de postos. Como lidar com esse desafio e formar profissionais para esse novo mundo é uma das propostas da Exsto Tecnologia, empresa especializada em soluções didáticas para o ensino profissional tecnológico. Na Fivel 2019, a empresa apresenta sua planta para estudo e ensino das tecnologias da Indústria 4.0.
De acordo com a Exsto, sua nova solução “permite aos estudantes e profissionais terem contato direto com tecnologias como Realidade Aumentada, Computação em Nuvem, Gêmeo Digital e Simulação, IoT, Manufatura Aditiva e Robótica”.

Também na área de ensino, o Instituto Nacional das Telecomunicações (Inatel), pioneiro no desenvolvimento das redes de comunicações móveis de 5ª geração (5G) com tecnologia nacional, apresenta a profissionais e estudantes cursos e atualizações presenciais e à distância não apenas para esta e outras tecnologias emergentes, como SmartCities (Cidades Inteligentes), como para temas específicos: Automação Industrial, Gestão de Projetos e Comunicações Digitais; técnicos: Sistemas de Telecomunicações, Sistemas de Computação, Comunicações Via Satélite e Engenharia Biomédica; e diferenciados: Internet das Coisas e Tecnologias Exponenciais. Dentro desse escopo, existem ainda os cursos preparatórios para certificações Profibus, Cisco e Huawei. (Da Redação)