Várias cidades já têm programação variada e fazem dos festivais uma oportunidade de divulgar outros atrativos e gerar emprego e renda - Crédito: Gian Lana

Festivais de arte levam diversão e conhecimento para o interior de Minas Gerais ao longo de todo o ano e também ajudam a movimentar a economia dos municípios, ativando cadeias produtivas do turismo e cultura.

Entre agosto e setembro, várias cidades a menos de 200 quilômetros de Belo Horizonte já têm programação variada e fazem dos festivais uma oportunidade de divulgar outros atrativos e gerar emprego e renda.

Na região Central, a 31ª edição do Festival de Folclore de Jequitibá promete levar cerca de 20 mil visitantes para a cidade de 8 mil habitantes – segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 2018 – entre os dias 13 e 15 de setembro.

Serão três dias de intensa programação totalmente gratuita, propiciando a reflexão sobre o tema da arte e da cultura popular, em seu potencial transformador e de pertencimento. Na programação, a participação de grupos como Família Alcântara, Grupo de Congo dos Arturos, Pereira da Viola, Celso Moretti, Chama Chuva, Coral “Cantoria Popular do Chile”, são alguns dos destaques. Nos três dias também serão oferecidas oficinas de patrimônio, artesanato, gastronomia com insumos da região também gratuitas.

De acordo com a coordenadora do Festival, Valéria Matos, o evento é uma oportunidade de geração de renda e desenvolvimento para além do território da cidade. Na última edição, somente entre as barracas de alimentação foi registrada movimentação financeira de R$ 1,2 milhão em quatro dias de Festival.

“Jequitibá faz parte do Circuito Turístico das Grutas e o Festival movimenta também o setor hoteleiro das cidades de Baldim e Sete Lagoas, que são procuradas pelos visitantes devido ao número limitado de leitos no município. Essa é uma oportunidade para que as pessoas circulem, conheçam nossa gastronomia e atrativos naturais. Toda a região é beneficiada com isso”, explica Valéria Matos.

Antes disso, porém, Sete Lagoas, na mesma região, recebe a primeira edição do Festival Nacional de Arte de Rua, entre 16 e 31 de agosto. Grupos de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, além de artistas locais, vão se apresentar em 15 diferentes endereços na cidade.

Segundo a gestora do projeto, Flávia Botelho, são esperados 10 mil participantes e mais 500 profissionais entre artistas e técnicos.

“A presença de artistas nacionais nos ajuda a posicionar Minas no cenário de arte de rua e a promover os nossos artistas. Conseguimos viabilizar o evento por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura com o patrocínio da Cimento Nacional, que fez um aporte de R$ 400 mil. O formato de rua tem um custo menor, já que não dependemos de locação de espaço. Assim, pudemos investir mais na programação. O Festival tem um papel importante de distribuição de oportunidades ao valorizar também os fornecedores e trabalhadores locais para trabalhar na estrutura, desde gráficas até hotéis, por exemplo”, pontua Flávia Botelho.

No dia 24 de agosto, Pedro Leopoldo e Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), celebram a volta do Sumidouro em Cena – Festival de Música Folk. Em um só dia, são esperadas 2 mil pessoas para uma programação igualmente gratuita.
Realizado entre 2013 e 2016, o Festival volta agora oferecendo música folk, exposição de arte, teatro, artesanato, yoga, dança, oficina de origami, além de apresentações do folclore e da gastronomia local. O evento acontece na Fazenda Girassol, no Parque Estadual do Sumidouro. O Parque é uma unidade de conservação a 50 quilômetros da Capital. Ele abriga uma paisagem peculiar por suas características cársticas, 53 cavernas e 157 sítios arqueológicos em uma área aproximada de 2.004 hectares.

Uma das organizadoras do Sumidouro em Cena, Ana Cristina Miranda, destaca a importância dos festivais para a divulgação e preservação de patrimônios naturais e culturais como o Parque do Sumidouro.

“Queremos trazer conhecimento pra cá e divulgar os nossos valores. Essa é uma região muito rica em natureza e história. Só quem conhece e ama um lugar consegue preservá-lo, por isso é importante fazer uma divulgação responsável e trazer esse turista consciente pra cá. Além disso, há a movimentação econômica imediata, inclusive com a geração de pernoites na rede hoteleira”, pontua Ana Cristina Miranda.