As mostras e festivais de cinema geram renda e fomentam o turismo em vários municípios do País | Crédito: Leo Lara/Universo Produção

Com espaço de exibição reduzido, a produção cinematográfica brasileira encontra desafogo nos festivais e mostras de cinema. Os encontros que juntam público e realizadores ajudam a movimentar a economia de cidades de diferentes perfis e tamanhos por todo o Brasil.

Segundo dados do Ministério da Cidadania, são 369 eventos por ano que podem ajudar a fomentar o turismo no País.

O audiovisual brasileiro movimenta uma extensa cadeia produtiva e tem se tornado cada vez mais importante para a economia nacional. Com um mercado que emprega 98 mil pessoas em todo o País, o setor gera R$ 25 bilhões ao ano, uma fatia equivalente a 0,46% do PIB brasileiro.

“É mais do que a indústria farmacêutica”, comparou a presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Débora Ivanov, durante o Festival de Gramado, realizado na cidade gaúcha em agosto.

A capacidade de girar a economia, gerando emprego e renda, anima produtores, mas eles não deixam de enfrentar muitas dificuldades. A crise econômica afastou antigos patrocinadores e menos empresas têm condições cumprir os requisitos exigidos pelas diferentes leis de incentivo em âmbito federal e estadual.

Minas Gerais – Em Fama, pequena cidade do Sul de Minas, com menos de 2,4 mil habitantes – segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2019 -, a realizadora do evento e produtora cultural, Aryanne Ribeiro, conta com a ajuda dos comerciantes locais para realizar a Mostra de Cinema de Fama. A terceira edição aconteceu este ano, entre 6 e 9 de junho, e reuniu 1,5 mil pessoas em frente à tela montada no píer da cidade, tendo como fundo o Largo de Furnas.

“Percebemos que existe uma produção represada na região que não encontra oportunidade de exibição e de outro lado gente que quer ver cinema e não tem onde. Fama já é uma cidade conhecida por causa do turismo em torno do Lago de Furnas. Decidimos por fazer na baixa temporada também para ajudar a movimentar a cidade. Nos dois primeiros anos, conseguimos algum incentivo público, mas em 2019 não foi possível. Os comerciantes locais nos apoiam, mas eles passam pelas mesmas dificuldades que todos passamos, então conseguimos parcerias, mas não verba direta para a produção”, explica Aryanne Ribeiro.

Além do público, o festival leva para a cidade equipe de produção, artistas e realizadores convidados. Os três hotéis ficam lotados.

“Um só com a produção”, diverte-se a produtora que continua: “Não havia uma cidade melhor para fazer um festival dedicado à sétima arte, a começar pelo nome”, completa.

Editais – Ainda que a burocracia seja grande, existem algumas possibilidades de incentivo interessantes para os festivais ainda abertas. Cerca de R$ 2,5 milhões em incentivos para a realização de festivais e mostras de cinema ainda estão disponíveis para produção de eventos nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste e R$ 511 mil para a região Sul e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A iniciativa faz parte do edital de apoio à realização de festivais e mostras de cinema em todo o País, do Ministério da Cidadania, lançado em 2018. Interessados em participar têm até 30 de setembro para se inscrever. Para conseguir o apoio, os eventos precisam ser organizados até 31 de dezembro deste ano. Lançado em fevereiro de 2018, o edital é de fluxo contínuo e vem recebendo inscrições de projetos desde então.

Em Belo Horizonte, a Mostra CineBH chega à sua 13ª edição ocupando cinco espaços na Capital – Palácio das Artes, Sesc Palladium, MIS Cine Santa Tereza e Cine Theatro Brasil Vallourec -, entre os dias 17 e 22 de setembro. .

Para a coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, os festivais desempenham um papel fundamental para a economia da cultura e também como empreendimentos do setor de entretenimento. Estima-se que cada real investido em cultura gere R$ 400 de retorno.

“Como produtores e artistas, falamos pouco que investir em cultura é um bom negócio. O entretenimento é a indústria que mais cresce no mundo e estratégica em diversas nações. A Lei Rouanet reverbera em 68 atividades econômicas. A Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que a lei beneficia a sociedade e seu impacto reverbera do transporte ao turismo, do setor alimentício às finanças. A economia criativa incentivada pela Lei Rouanet gera na economia local, recursos 59% maior em relação ao que foi investido. São 251 mil empresas do segmento cultural que geram um milhão de empregos diretos. Minas Gerais tem todos os predicados para fazer essa cadeia produtiva girar e isso seria uma oportunidade para os municípios que dependem das commodities e precisam fazer a transição para quando o ciclo da mineração acabar”, pontua a coordenadora da Mostra Cine-BH.

Integra a programação da 13a Mostra CineBH, o Brasil CineMundi – 10th International Coproduction Meeting, importante evento de mercado que celebra uma década de realização promovendo a conexão entre a produção brasileira e a indústria audiovisual internacional, além de ser um espaço formação, difusão de ideias e de projetos de coprodução. O foco é apresentar projetos em fase de pré-roteiro para investidores internacionais. Esse ano são 24 convidados que vão conhecer 22 projetos selecionados.

“Trazemos a indústria audiovisual do mundo inteiro para conhecer nossos futuros filmes. A coprodução é a oportunidade dos nossos filmes rodarem o mundo mesmo antes de rodarem o Brasil. É também uma chance de atrair outras produções para e Estado, lembrando que cada filme aqui produzido gera cerca de 100 empregos diretos na cidade”, completa a gestora.

Startup conecta produtores mineiros

Em um mundo onde 81% das empresas utilizam o vídeo como ferramenta de marketing e 95% dos usuários assistem esse formato de conteúdo para entender melhor determinado produto ou serviço, segundo o State of Video Marketing, o empreendedor Murillo Alcantara enxergou um mercado promissor e ainda pouco explorado no Brasil. Com o objetivo de facilitar a experiência de criação de vídeos profissionais, o paulistano desenvolveu a EasyMovie, uma plataforma que conecta produtores audiovisuais a clientes de maneira simples, rápida e segura.

Na contramão de processos longos e burocráticos, a startup oferece uma interface intuitiva e ágil, em que é possível realizar todas as etapas de criação audiovisual, do briefing à produção, totalmente on-line. Qualquer tipo de conteúdo pode ser criado explicando objetivos e ideias principais ou simplesmente falando para a plataforma por meio do recurso de áudio. De forma inteligente, o pedido é divulgado para uma rede cuidadosamente selecionada de produtoras e profissionais freelancers. Em poucas horas o cliente começa a receber diferentes orçamentos para a solicitação, e quando escolhe a melhor proposta, a produção é iniciada e ele pode acompanhar passo a passo do processo.

Grandes empresas têm apostado no uso da ferramenta para a criação de vídeos animados, vinhetas, apresentações de projetos, ações de comunicação, tutoriais, conteúdos e vídeos publicitários, como é o caso da McCain, Ticket e Catho, principalmente porque o recurso aumenta a visibilidade da marca em 54%, de acordo com estudo realizado pela OptinMonster no último ano. Com a plataforma, o prazo de entrega é encurtado e demandas urgentes podem ser solucionadas em poucos dias.

“Na EasyMovie, oferecemos uma verdadeira experiência em criação de vídeos para o cliente. Queremos, por meio da tecnologia, otimizar processos normalmente morosos e desorganizados”, pontua Alcantara.

Segundo o empreendedor, a ideia da plataforma não é apenas conectar demanda e oferta, mas, sim, oferecer uma user experience extremamente qualificada para clientes e produtores, com ferramentas tecnológicas de ponta a ponta do processo de criação de vídeo.

O mercado global de mídia e entretenimento deve movimentar US$ 2,23 trilhões em 2021, segundo a PwC. De olho nesse cenário, o fundador e CEO da EasyMovie pretende, em dois anos, alcançar a marca de 10 mil produtores audiovisuais parceiros e expandir sua área de atuação para 30 países, com início previsto para o segundo semestre de 2019.

“Temos um mercado de vídeo crescendo a números exorbitantes, pouca tecnologia no setor audiovisual e a economia GIG avançando cada vez mais, por essa razão, criamos o maior hub on-line do segmento, capaz de traduzir as dores do processo de vídeos em tecnologia que facilitam o dia a dia”, finaliza. (Da Redação)