Rio de Janeiro – A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã de ontem Márcio Lobão, filho do ex-ministro de Minas e Energia e ex-senador Edison Lobão, por suspeita de recebimento de cerca de R$ 50 milhões em propina em obras da Transpetro, subsidiária de Petrobras, e da hidrelétrica de Belo Monte, em mais uma fase da Operação Lava Jato, informou o Ministério Público Federal (MPF).

A propina teria sido paga pela Odebrecht e pelo Grupo Estre entre 2008 e 2014, com pagamentos em espécie realizados em escritório de advocacia no Rio de Janeiro ligado à família Lobão, de acordo com comunicado do MPF, que disse ter obtido depoimentos de colaboradores, registros de ligações e reuniões entre os investigados e registros em sistemas de controle de propinas.

“As medidas cautelares cumpridas hoje também objetivam aprofundar possíveis operações de lavagem de dinheiro capitaneadas por Márcio Lobão”, disse o MPF em comunicado, acrescentando que no período foi possível verificar um incremento de patrimônio de Márcio Lobão superior a R$ 30 milhões.

“O esquema investigado inclui aquisição e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior.”

Os procuradores acrescentaram que a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de galeria de arte e de agentes financeiros que atuavam perante bancos, a exemplo do Julius Bär, gerindo contas de Márcio Lobão no exterior.

Além da investigação que envolve a participação da Odebrecht em fraudes na construção de Belo Monte, a ação deflagrada ontem também investiga benefícios em mais de 40 contratos, com valor total de cerca de R$ 1 bilhão, celebrados pelas empresas Estre Ambiental, Pollydutos Montagem e Construção, Consórcio NM Dutos e Estaleiro Rio Tietê, afirmou o MPF.

Leniência – A Odebrecht, que fechou acordo de leniência em que reconheceu ter cometido irregularidades, disse em nota oficial que tem colaborado com as autoridades “de forma permanente e eficaz, em busca do pleno esclarecimento de fatos do passado”, e que hoje é uma “empresa transformada” e comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente.

A Transpetro disse, também por meio de nota, que vem apurando denúncias de irregularidades envolvendo os citados na operação e que todas as informações obtidas são encaminhadas ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes. “A Transpetro reitera que é vítima nestes processos e presta todo apoio necessário às investigações da Operação Lava Jato”, afirmou.

A Estre Ambiental afirmou em comunicado que tem colaborado e prestado os esclarecimentos necessários às autoridades responsáveis pela elucidação do caso. Não foi possível fazer contato com as outras empresas citadas.

De acordo com a Polícia Federal, foram expedidos no total 11 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília no âmbito da Operação Galeria, a 65ª fase da Lava Jato.

Procurado pela Reuters, o advogado de Márcio Lobão não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Também procurado, o advogado do ex-ministro Lobão disse apenas que não tem conhecimento de busca e apreensão contra seu cliente na operação desta terça-feira.

Edison Lobão, ex-senador pelo MDB, foi ministro de Minas e Energia durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. (Reuters)