São Paulo – O Ibovespa fechou com pequena queda nessa quinta-feira (19), pressionado particularmente pelas ações de bancos, após tocar os 106 mil pontos no começo da sessão, embalado por perspectivas de que o Banco Central dará continuidade ao ciclo de cortes da taxa básica de juros no País.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,18%, a 104.339,16 pontos, após mostrar 106.001,35 pontos na máxima intradia. A máxima histórica de fechamento é de 105.817,06 pontos e o recorde intradia é de 106.650,12 pontos, ambos registrados em julho.

O volume financeiro totalizou R$ 16,75 bilhões, em linha com a média diária de R$ 16,8 bilhões em setembro.

O começo do pregão sinalizou uma possível quebra de recorde do Ibovespa para o fechamento, após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic em 0,5 ponto percentual, para novo piso histórica de 5,5% ao ano, e dizer que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.

“O corte de 0,5 ponto estava no preço, mas o BC indicou ao mercado a possibilidade de mais cortes do que estava precificado” afirmou o gestor Henrique Bredda, sócio na Alaska Asset Management, notando revisões nas expectativas para a Selic ao final do ciclo.

“A estimativa de (o ciclo terminar com a Selic em) 5%, que até então era o piso das previsões, passou a ser o teto das projeções”, afirmou o gestor, destacando que bolsa com um todo sai ganhando em tal cenário. “Uns (papéis) mais outros menos, mas todos ganham.”

Após a decisão do Copom, pelo menos XP Investimentos, UBS e BNP Paribas juntaram-se ao time que inclui Citi, Bradesco, BofA e Santander Brasil, que já prevêem juro abaixo de 5% no final do ciclo de ajuste da Selic.

Do ponto de vista das companhias especificamente, Bredda explicou que o efeito se dá com aumento no valor presente do fluxo de caixa, menor despesa financeira e incentivo para novos projetos de expansão.

Mas o cenário de Selic menor à frente, acrescentou, também funciona como incentivo para as pessoas saírem da renda fixa e investirem em bolsa, entre outros ativos, assim como diminui o custo de rolagem da dívida do Estado, ajudando na melhora do resultado fiscal, o que pode apoiar mais cortes.

“Estamos deixando de ser um país fora dos padrões mundiais de inflação e de custo de capital”, acrescentou o gestor Marcelo Mesquita, sócio na Leblon Equities. “Com as reformas em andamento, teremos a bolsa brasileira em alta por vários anos e o crescimento econômico virá cedo ou tarde.”

O Ibovespa, contudo, perdeu o fôlego conforme ações com relevante peso no índice pioraram, notadamente bancos, enquanto os papéis da Petrobras também enfraqueceram, assim como Vale. Operadores também citaram alguma realização de lucros. Grafistas do Itaú BBA citaram em nota mais cedo que os 104.800 pontos representam uma região de forte resistência.

No exterior, Wall Street encerrou com pequenas variações, com o S&P 500 fechando o dia estável, um dia depois de Federal Reserve cortar as taxas de juros norte-americanas e transmitir sinais contraditórios sobe uma nova redução, mas deixar a porta aberta para futuras intervenções monetárias.

Destaques – Banco do Brasil cedeu 2,6%, capitaneando as perdas entre os bancos. Itaú Unibanco PN fechou com variação negativa de 1,67%. Bradesco PN terminou com decréscimo de 1,21%. No mês, contudo, esses três papéis ainda acumulam valorização de 1,6%, 2% e 2%, respectivamente.

Petrobras PN fechou com acréscimo de 0,26%, após subir mais de 2% mais cedo, com a alta do petróleo no exterior e decisão da companhia de elevar o preço médio do diesel nas refinarias a partir desta quinta-feira após ataques a instalações da Saudi Aramco no fim de semana terem elevado os valores internacionais do petróleo.

Mafrig ON subiu 6,8%, maior alta do Ibovespa. Entre as pares do setor de proteínas no índice, BRF ON caiu 1,75% e JBS ON teve alta de 0,61%. Fora do Ibovespa, Minerva ON cedeu 0,22%.

Vale ON cedeu 0,17%, após os futuros do minério de ferro na China despencarem ontem, na quarta sessão consecutiva de perdas, enquanto o aço também recuou, em meio a preocupações sobre a demanda futura. (Reuters)

Dólar à vista avança 1,5% e atinge R$ 4,16

São Paulo – O dólar encerrou em forte alta contra o real ontem, superando a marca de R$ 4,16, um dia depois de o Banco Central cortar a Selic e sinalizar mais redução na taxa básica de juros à frente.

O dólar à vista teve alta de 1,50%, a R$ 4,1642 na venda, maior nível de fechamento desde 3 de setembro.

Segundo relatório da equipe de análise da Correparti Corretora de Câmbio, a valorização do dólar teve como principal driver a fuga de capital estrangeiro, especialmente de fundos especulativos, em busca de melhor remuneração, após o BC cortar a taxa Selic.
“Estes fundos predadores foram a mercado comprar dólares para aportarem em outros países emergentes que têm melhor rentabilidade e um custo de hedge mais baixo como o México.”

No acumulado de setembro até dia 13, o fluxo cambial financeiro estava negativo em US$ 1,8 bilhão, segundo o BC.

O corte nos juros brasileiros veio na sequência de uma redução dos juros também nos Estados Unidos. O Federal Reserve reafirmou que a perspectiva econômica dos EUA é “favorável”, com o mercado de trabalho forte e a inflação provavelmente retornando à meta do Fed (2%). (Reuters)