Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil deu um salto de 33,5% no terceiro trimestre deste ano em comparação a igual período de 2018, para R$ 4,5 bilhões. O resultado fez o banco revisar para cima suas projeções de lucro em 2019. De acordo com o relatório divulgado pelo banco ontem, essa alta foi impulsionada pela margem financeira (principal receita de um banco, gerada por crédito) e pela receita com tarifas e prestação de serviços.

Enquanto a margem financeira bruta líquida registrou um avanço de 5,6%, as receitas com serviços subiram 8,7%. Os ganhos nessa última linha foram calcados principalmente com os ganhos com seguros, previdência e capitalização e também com administração de fundos.

A carteira de crédito ampliada do banco (que inclui também títulos de valores mobiliários), no entanto, encolheu 0,7%, a R$ 686,7 bilhões. Os empréstimos para pessoas físicas aumentaram 9,3%, para R$ 209,6 bilhões, mas as concessões para empresas caíram 5,4%, influenciada negativamente pelas linhas de grandes empresas. Os financiamentos ao agronegócio caíram 3% na mesma comparação.

“Estamos mais conservadores no atacado (grandes empresas) e com uma postura mais agressiva para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas”, afirmou o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes.

O movimento vem em linha com a estratégia adotada pelo mercado de voltar-se mais fortemente ao mercado de capitais como uma tentativa de compensar a maior demanda das grandes companhias pelo segmento de prazos maiores e juros mais baixos.

De acordo com o vice-presidente executivo de negócios no atacado do BB, Márcio Hamilton, tal estratégia tem compensado parte da perda do banco na carteira de crédito voltada às empresas de grande porte.

“Tivemos uma queda de carteira nos últimos 12 meses, mas fizemos emissões tanto no mercado local como no internacional. O processo de maior busca de acesso ao mercado de capitais alinha também com a nossa estratégia de buscar um mix de produtos com um maior índice de retorno na carteira”, explica o executivo. Segundo ele, o banco emitiu um total de R$ 21 bilhões e US$ 15 bilhões no período.

O presidente do BB, Rubem Novaes, destaca ainda que o banco já está com o processo de busca de uma nova parceria na área de gerenciamento de recursos. “A busca é por um parceiro vultoso e internacional. Não será concluída este ano porque depende de negociações complexas. Mas já estamos com um número de pretendentes mais reduzidos e logo poderemos caminhar mais rapidamente para uma conclusão”, completa.

A inadimplência do banco público teve um aumento de 0,66 ponto percentual, para 3,47%. A alta, segundo o relatório do banco, deve-se a um caso específico. Tal efeito extraordinário também afetou o nível de cobertura para cobrir calotes do Banco do Brasil, que reduziu 24,1 pontos percentuais, para 168,6%.

“Não devemos esperar surpresas ou impactos adicionais na gestão desses ativos”, disse o vice-presidente de gestão de risco do BB, Carlos Bonetti.

Despesas – Em relação às despesas administrativas do banco, que registraram uma alta de 1,6% no período, para R$ 7,7 bilhões, o vice-presidente de relações com investidores, Carlos Hamilton, pondera a possibilidade de uma nova elevação no quarto trimestre, como reflexo da Cassi.

Cassi é a Caixa de Assistência que administra o plano de saúde dos funcionários do BB e que anunciou precisar de R$ 1,4 bilhão até 2020 para compor as reservas exigidas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). “Mas será algo pontual”, acrescentou o executivo.

A instituição revisou suas projeções de crescimento para o lucro líquido ajustado para este ano, que saíram de um intervalo entre R$ 14,5 bilhões e R$ 17,5 bilhões para a faixa de R$ 16,5 bilhões a R$ 18,5 bilhões. Também houve alteração nas expectativas para o crédito rural, que saiu de uma estimativa de crescimento entre 3% a 6% para um avanço entre 0,5% e 3%.

O retorno sobre patrimônio líquido ajustado do banco (também conhecido como ROE), ficou em 15%, alta de 2,7 pontos percentuais no período. (Folhapress)