Crédito: Antonio Cruz/ABr

São Paulo – Os juros na ponta não caíram como o desejado pelo Banco Central (BC) em 90% da massa de crédito, avaliou, na sexta-feira (8), o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, em evento organizado pela Embaixada da Itália em São Paulo.

Campos Neto voltou a dizer que, para que isso ocorra, é preciso que o País resolva o problema de informação assimétrica. Ela será removida, na visão do presidente do BC, com a implementação do open banking, que dará aos clientes de bancos o poder sobre seus dados financeiros.

Ele também afirmou ser necessário melhorar a questão das garantias nos empréstimos, uma vez que a recuperação de crédito no País é baixa e demorada.

Quanto à política monetária, Campos Neto reiterou em seu discurso que o BC vê espaço para mais um corte de 0,5 ponto da taxa básica de juros este ano, após ter feito uma redução desta magnitude na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em outubro. Atualmente, a Selic está na mínima histórica de 5%.

Sobre o comportamento do dólar frente ao real, ele frisou que o câmbio no Brasil é flutuante e que o BC não trabalha com meta para a cotação da moeda norte-americana.

Como pano de fundo para o movimento, agentes de mercado apontaram o ambiente de desconfiança política após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, o que abre caminho para a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, incertezas renovadas sobre um acordo entre Estados Unidos e China também pesavam negativamente.

A respeito dos embates comerciais entre as duas maiores economias do mundo, Campos Neto avaliou, durante o evento, que este é um momento de tensão alta e que, no final das contas, todos saem prejudicados.

A guerra comercial impõe uma queda de produtividade que acaba sendo prejudicial ao crescimento global, afirmou ele. (Reuters)