Crédito: Charles Silva Duarte

O futuro e os desafios do setor de bancos e agências de fomento foram os eixos das discussões promovidas durante o 1º Encontro dos economistas-chefes dos bancos de Desenvolvimento da América Latina, realizado nos dias 19 e 20, na sede do BDMG, em Belo Horizonte. Participaram do evento representantes de 27 bancos e agências de fomento, vinculados a 13 países da América Latina e Europa.

Entre os principais pontos de discussão destacou-se a necessidade de diversificar a origem de recursos para financiamento, em um cenário global no qual os Estados atravessam crise econômica. Outra preocupação é quanto à forma de o setor se tornar catalisador de projetos ligados à economia sustentável, em um momento no qual há ampla oferta de green bonds no mercado internacional e em um contexto em que há a necessidade de se cumprir o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das Nações Unidas.

A proposta de intercâmbio de experiências e de cooperação técnica incluiu ainda meios de obtenção de crédito com a transformação digital, que está mudando a forma de se fazer negócios no mundo.

Essas foram as principais questões debatidas pelos representantes das 27 agências e bancos de fomento em mesa-redonda fechada, no dia 19, e apresentadas ao público no dia 20. A mesa-redonda discutiu o papel das instituições financeiras de desenvolvimento no quadro das prioridades da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, tendências atuais que impactam o processo econômico, mudanças climáticas e gestão de riscos; além de infraestrutura sustentável e desenvolvimento territorial; economia 4.0 e digitalização no setor bancário; inclusão financeira e medição de impacto.

Da solenidade de abertura do evento destinado ao público, participaram o vice-governador de Minas, Paulo Brant; o presidente do BDMG, Sergio Gusmão Suchodolski; o secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo; o Líder de Mercados de Conectividade e Finanças do BID, Juan Ketterer; o presidente do Fonplata (Fundo de Desenvolvimento Financeiro da Bacia do Prata), Juan Notaro; e o secretário-geral da Alide, Edgardo Alvarez.

De acordo com o secretário-geral da Alide, Edgardo Alvarez, há características comuns nos desafios das economias latino-americanas, além de acordos internacionais que exigem maior participação dos bancos de desenvolvimento, incluindo o Acordo de Paris e a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das Nações Unidas.

“O setor é um dos principais instrumentos de uma política pública inclusiva e sustentável”, defende, argumentando que, nesse momento, é preciso repensar os modelos, a partir de uma visão compartilhada, para otimizar a contribuição para o progresso econômico.
Para o presidente do BID, Juan Ketterer, as instituições de fomento devem trabalhar para a troca de conhecimento, pois, hoje, segundo ele, “a transferência de tecnologia é tão importante quanto os recursos, que devem ser otimizados para o estabelecimento de políticas públicas”.

Troyjo destaca mudanças na economia

O secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, chamou a atenção, em evento que reuniu representantes de 27 bancos e agências de fomento da América Latina e Europa, para as profundas mudanças que têm ocorrido nas grandes economias mundiais e seus impactos na forma de desenvolvimento das economias dos países. Para o Brasil, ele cita cinco importantes frentes de ação do governo federal para melhorar a competitividade do País e fazer dele uma das economias mais dinâmicas do mundo. Entre elas, a reforma tributária.

Segundo ele, o cenário mundial é de rebalanceamento das grandes forças econômicas, com o crescimento de nações emergentes, sobretudo da Ásia; um forte ajuste nas relações entre China e EUA; e uma significativa quebra de paradigma, com o surgimento da economia 4.0. Nesse contexto, argumenta, o Brasil tem que mudar seu posicionamento. “Tem que ser leve e ágil para se adaptar a essa nova configuração”, sustenta.

“A gente está testemunhando uma verdadeira mudança de doutrina econômica e também de modelo. Estamos deixando para trás uma política pública muito centrada na figura de Estado como definidor de regras, responsável como investidor, responsável pela infraestrutura, Estado empresário, paternalista que acabou gerando as deficiências que hoje atrasam nosso crescimento econômico. Uma enorme explosão dos gastos públicos, políticas de substituição de exportação, reserva de mercado.”, critica.

Essa mudança de modelo, segundo ele, está ocorrendo no atual governo de Jair Bolsonaro por meio de cinco frentes. A primeira delas seria a reforma da Previdência, que já está perto de ser aprovada. A outra é a reforma tributária, tanto em relação ao peso da carga tributária quanto à simplificação.

“O que deixa o Brasil em posições tão atrasadas nos índices de facilidade de negócios é a complexidade tributária do País”, justifica.

A outra frente de ação é a da liberdade econômica, que, segundo ele, é uma reforma fundamental para a competitividade, pois vai diminuir o tempo de fechar e abrir empresas no País.

“Estamos avançando também no tema das privatizações e concessões. Não é apenas um esforço para ajudar com o ajuste fiscal, mas também para elevar o nível médio de eficiência da economia, pois sabemos que a eficiência é maior no setor privado do que no público”.

Troyjo cita como a quinta grande frente de ação do governo federal a inserção econômica internacional do Brasil.

“O País ficou muitas vezes isolado. Em 28 de junho fechamos o acordo entre Mercosul e a União Europeia. Fizemos recentemente acordo com europeus fora da zona do euro, com países muito ricos como Noruega e Suíça e que, em conjunto, representam uma economia de US$ 1,1 trilhão”, informou.

Além disso, ele cita o trabalho, em curso, para reformar a tarifa externa do Mercosul, para deixá-la menor e com maior abrangência.

“E estamos prestes a iniciar relações comerciais com o Japão e EUA. Temos conversações com a Coreia do Sul, Canadá e Singapura. Estamos resolvendo essa anomalia do Brasil que é estar muito longe das cadeias globais de valor”, anuncia.