Acerto entre as partes ocorre quase três anos após o rompimento da barragem de Fundão - Foro: Antonio Cruz/ABr

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) reuniu os principais especialistas da área de energias renováveis, produtores e empresas de tecnologia e processos industriais, para participarem da apresentação do Projeto Phoenix à Fundação Renova – entidade responsável pela mobilização para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

O Projeto Phoenix busca a inserção das comunidades para ações de bioeconomia, com foco na produção de biocombustíveis para os segmentos de transportes e mineração, e fornecimento de insumos para outros segmentos agroindustriais, estabelecendo as bases para um novo ciclo de crescimento sustentável da economia regional.

As atividades são criadas e desenvolvidas por meio da Plataforma Mineira de Bioquerosene e Renováveis, projeto idealizado pelo governo de Minas Gerais, que busca desenvolvimento sustentável por meio da macaúba. O coordenador do Plano de Desenvolvimento da Plataforma Mineira de Bioquerosene e Renováveis, Carlos Malta, destaca a eficácia do projeto.

“A cadeia produtiva é complexa e extensa, envolvendo vários parceiros. Com as pesquisas agrícolas, de processamento e transformação da matéria-prima avançando e a nossa forte vocação agrícola, estamos criando um ambiente atrativo para grandes investidores no nosso Estado”, afirma Malta.

O Projeto Phoenix fomenta a promoção do desenvolvimento sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, visando a implantação de uma Cadeia de Diesel Verde e Renováveis do Vale do Rio Doce.

A ação integra todos os interessados em uma plataforma colaborativa, desde a pesquisa até a produção de óleo vegetal para combustível e outros fins, calcada na tecnificação da agricultura familiar e processos inovadores da economia circular.

Além disso, o trabalho tem objetivo de restaurar as condições de solo para cultivo ou reposição vegetal das propriedades agrícolas da região, buscando (ou aplicando) métodos para eliminação dos metais pesados e outros contaminantes identificados, além de recondicionamento de margens e calhas do sistema hidrográfico para aumento da produção de água. A recuperação da fauna e flora de toda a Bacia Hidrográfica do Rio Doce por meio de corredores ecológicos de integração faz parte da proposta.

A primeira proposta discutida na reunião foi a instalação de uma Unidade Técnica de Demonstração, na cidade de Mariana, para sistematizar as informações que serão geradas ao longo do processo do cultivo da macaúba. Futuramente, serão instaladas usinas de beneficiamento para tratamento da matéria-prima gerada na região.

Parcerias – O trabalho de estruturação da Plataforma Mineira de Biocombustíveis e Renováveis, liderado pela Sedectes, por meio da Subsecretaria de Desenvolvimento Econômico, reúne instituições estaduais e federais, entre elas as universidades: Unimontes, UFMG, Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Federal de Viçosa (UFV). Há parceria de municípios, bem como de empresas privadas como a Soleá/Acrotech, Embraer, Boeing e Gol Linhas Aéreas.

Na prática, três pilares do desenvolvimento sustentável ancoram o projeto: o ambiental com impactos positivos na recuperação de áreas degradadas, bacias de rios e afluentes, bem como na redução das emissões de gás carbônico na atmosfera. Quanto aos pilares econômico e social, a expectativa é de que eles beneficiem uma expressiva quantidade de municípios com a geração de emprego e renda no campo e na cidade, com a cadeia produtiva (plantio, colheita da macaúba e indústria).