Abastecimento começa a se normalizar

Home

30/05/2018 - Por Mara Bianchetti. Foto: Alisson J. Silva

Após nove dias de paralisação do transporte de cargas no País, o abastecimento de combustíveis na Grande Belo Horizonte parece, enfi m, estar voltando à normalidade. Somente na última segunda-feira 32 postos da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) receberam gasolina e etanol. Ontem (29) outras dezenas também foram contempladas.

A previsão do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) é que após o término total da greve dos caminhoneiros, se leve entre cinco e sete dias para normalizar o abastecimento em todo o Estado. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Minas Gerais conta atualmente com 4.360 postos de combustíveis ativos. Deste total, quase 1 mil estão na RMBH, sendo cerca de 270 na Capital, 100 em Contagem e outros 50 em Betim.

Por meio de nota, o Minaspetro esclareceu que os postos estão sendo reabastecidos sob escolta da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e que diferentes unidades estão recebendo reposição, mas diferentemente do primeiro dia, a lista dos postos não foi divulgada, por uma decisão do Comitê de Crise Estadual. “O Comitê, a ANP, o Procon estadual, o Ministério Público, representantes de companhias distribuidoras e o Minaspetro são apenas agentes consultores da operacionalização deste abastecimento sob escolta. A designação de quais postos recebem o combustível é feita visando contemplar um maior número de consumidores. Não é responsabilidade da entidade elaborar esta listagem”, disse a nota do sindicato.

Ainda de acordo com o Minaspetro, caso todos os pontos de retenção sejam desobstruídos pelos caminhoneiros e não mais seja preciso transportar o combustível sob escolta, num período médio de 24 horas todos os postos de Belo Horizonte terão suas capacidades mínimas para médias restabelecidas. Por outro lado, a assessoria de imprensa da entidade informou que é difícil estimar uma perspectiva de retomada do fornecimento total de todos os postos do Estado. Isso porque as unidades contempladas nestes primeiros dias representam menos de 1% do contingente. Ofi cialmente, o Minaspetro tem controle apenas do que está sendo escoltado até os postos, a partir do Comitê e da PMMG.

Distribuidoras - Procuradas pela reportagem, a Plural e a Federação Brasilcom, entidades que reúnem as principais distribuidoras de combustíveis do Brasil, alegaram não possuir detalhes pontuais do abastecimento a partir das distribuidoras localizadas no entorno da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Ainda conforme as entidades, “o esforço do grupo operacional está pesado e focado em normalizar as operações”.

Em um comunicado oficial, a Plural e Brasilcom informaram ainda que as distribuidoras obtiveram mais de 80 liminares judiciais para voltar a operar, porém o cumprimento das decisões é difi cultado pela ação dos grevistas e que todas as associadas estão operando 24 horas por dia para encontrar meios de circular com os caminhões-tanque. E que graças a esses esforços, a distribuição caminha para a normalidade em algumas regiões do Brasil, sobretudo em estados do Norte e do Nordeste. “O setor de combustíveis é um dos mais prejudicados pela greve, e desde o início vem sofrendo perdas pela paralisação das atividades.

Os prejuízos são ainda maiores se levarmos em conta o aumento de custos causado por navios parados e outras interrupções nas operações. Cabe ainda esclarecer que as distribuidoras sempre se posicionaram contra qualquer tipo de intervenção na política de preços da Petrobras por entender que o mercado deve ser livre, como acontece em todas as economias modernas do mundo”, diz o documento.