Bares e restaurantes em BH e região já contabilizam
prejuízos com greve; preços dos alimentos e gás sobem

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Como consequência da greve dos caminhoneiros, que já dura mais de uma semana, muitos restaurantes e bares de Belo Horizonte e região metropolitana já somam prejuízos. É o caso dos restaurantes SantaFé, Udon e as unidades da Pizzaria Olegário. O proprietário da Rede Gourmet, detentora desses estabelecimentos, Agilberto Martins, estima uma queda de, pelo menos, R$ 100 mil em seu faturamento durante dois dias.

“No domingo (27), funcionamos parcialmente, porque alguns funcionários tiveram problemas para chegar por causa da falta de ônibus. Hoje (ontem), de forma precária, ainda estamos funcionando, mas não adianta ter funcionário se não tem público para atender e se os ingredientes ou o gás acabarem. De ontem (domingo) pra hoje, eu deixei de faturar R$ 100 mil por causa da falta de movimento. As pessoas não estão saindo de carro para economizar combustível. Só no SantaFé eu vendo R$ 20 mil em um domingo, e tivemos que fechar. No Udon do Belvedere, onde eu faturo cerca de R$ 30 mil em um dia, também ficamos fechados. Então, além dos estabelecimentos que tivemos que deixar de portas fechadas, há essa queda de movimento naqueles que estão abertos que contribuem para o nosso prejuízo. Além disso, eu só tenho insumos para hoje (ontem). Se o abastecimento não for restabelecido, eu não sei como vai ser amanhã (hoje)”, conta o proprietário.

O tradicional Nonô – Rei do Caldo, localizado no Centro de Belo Horizonte e conhecido por funcionar 24 horas durante a semana e até a meia-noite no sábado, também já começa a calcular os prejuízos.

“Com essa situação de não ter ônibus, precisei fechar às 22h no último sábado, e não à meia-noite, como normalmente faço, para não ter risco de os meus funcionários ficarem sem ônibus para voltar para a casa de madrugada. Além disso, o movimento caiu bastante. O nosso público da noite é formado por trabalhadores que saem do serviço tarde e vêm para cá, conversar, tomar um caldo, uma cerveja. Na quinta e na sexta-feira, o público diminuiu bastante, porque, como os ônibus estavam rodando em escala reduzida, ninguém se arriscou a ficar na rua até mais tarde e não conseguir voltar para a casa depois. Já tem uns dois dias que eu fico sem fornecimento dos frigoríficos. A sorte é que eu tenho bastante insumo congelado, e o gás de cozinha, estamos limitando para durar. Mas vamos fazer o possível para não fechar”, conta Crélio Correia, o proprietário.

Funcionamento reduzido - Alguns empresários tentam se adaptar à crise reduzindo o funcionamento de seus estabelecimentos para economizar os insumos e o gás, como o restaurante Topo do Mundo, na Torre Alta Vila, em Nova Lima.

“Na última sexta e sábado, tivemos um movimento razoável dentro desse contexto, claro que menor do que o movimento normal, mas as pessoas vieram. Já no domingo, tivemos uma queda mesmo no movimento, acho que por causa da falta de transporte, então alteramos o funcionamento. Ao invés de abrir para almoço e jantar, abrimos somente para almoço, até por causa da equipe reduzida. Hoje (ontem), por exemplo, que abriríamos para almoço, decidimos fechar para continuar abrindo em outros dias que dão mais movimento, até para economizar insumos e gás. E se a falta de abastecimento não acabar, na próxima semana, já teremos que ir reduzindo o cardápio conforme o nosso estoque for acabando”, calcula a proprietária, Ludmila Tamietti.

Cozinhar em casa - Além dos donos de bares e restaurantes, quem sofre também com a falta de abastecimento é o bolso do consumidor. Com algumas prateleiras vazias em sacolões e supermercados, alguns estabelecimentos praticam preços abusivos, e muitos consumidores compram em grandes quantidades com medo de faltar comida, o que fez o supermercado Carrefour, por exemplo, limitar as compras a cinco unidades de cada produto.

Consumidores relatam preços altos encontrados em alguns lugares, como o pente de ovos custando R$ 17,98 em um supermercado no Centro da capital e o quilo de batatas a quase R$ 10, em um sacolão no bairro Serra.

E quem ainda tem gás em casa, deve economizar. Em muitas distribuidoras, o produto já está em falta e, em outras, que ainda têm em estoque, os preços tiveram uma alta de cerca de 30%. É o que relata a advogada Miriam Araújo, moradora do bairro Eldorado, em Contagem.

“Já liguei para mais de 20 lugares desde sábado, muitos nem atendem mais. O menor preço que encontrei foi de R$ 100, mas têm lugares que chegaram a R$ 180. Entendo a questão do desabastecimento, mas é um absurdo preços tão abusivos. Paguei R$ 75 no último botijão há três meses. Em alguns locais, eles são claros em falar que não estão dando nota fiscal para evitar possíveis denúncias no Procon. Enquanto isso, só estamos comendo congelados aqui em casa”.

JULIANA BAETA