CDL-BH quer diminuir perdas do varejo adiando prazos de vencimento de taxas federais, estaduais e municipais

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01/06/2018 - Por Mara Bianchette.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) está preocupada com a saúde financeira das empresas varejistas da capital mineira, após o cenário de desabastecimento e queda nas vendas na última semana, em decorrência da greve dos caminhoneiros em todo o País. Visando amenizar os prejuízos, a entidade tenta prorrogar os prazos de vencimento de tributos federais, estaduais e municipais.

Para isso, a CDL-BH encaminhou ofícios ao presidente Michel Temer (PMDB), ao governador Fernando Pimentel (PT) e ao prefeito Alexandre Kalil (PHS) expondo a situação dos empresários e solicitando o adiamento das datas de pagamento.

De acordo com o presidente da entidade, Bruno Falci, embora legítima, a paralisação dos caminhoneiros nos últimos dias provocou impactos irreparáveis na economia de todo o País. Setores produtivos, segundo ele, sentiram ainda mais as consequências e vão pagar uma conta cara, sem terem recebido qualquer benefício.

“A CDL-BH é totalmente a favor do princípio que motivou a paralisação. Empresários e trabalhadores, que são a força motriz do Brasil, não aguentam mais pagar tanto imposto e tributo sem nenhum retorno compatível. No entanto, é preciso entender a hora de parar. Como não entenderam, tivemos uma quebra no ritmo de recuperação da economia e não sabemos o que esperar para o segundo trimestre de 2018”, explicou.

Falci lembrou que, para piorar, os setores de comércio e serviços sentiram ainda os efeitos a partir de uma brusca queda nas vendas. A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) estima que, de 21 a 28 de maio, os setores de comércio e serviços nacionais tiveram perdas de aproximadamente R$ 27 bilhões. Somente em Belo Horizonte, houve uma baixa do faturamento entre 40% e 50%.

Diante disso, aponta o dirigente, para que as empresas mantenham o mínimo de saúde financeira, com condições de manter os postos de trabalho, será preciso tempo e fôlego para colocar os compromissos em dia. “Todas as empresas saíram fragilizadas deste movimento. Algumas terão grandes dificuldades de honrar seus compromissos”, admitiu.

Por isso, a iniciativa da entidade ao solicitar a prorrogação dos prazos aos governos. “Esperamos que os governos, principalmente o estadual, que vem observando crescimento na arrecadação, atendam ao nosso pleito, que não é oportunista. A insatisfação dos caminhoneiros se pauta pelo preço dos combustíveis e quase metade do que é cobrado diz respeito a impostos. E o principal é justamente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços)”, lembrou.

Ponto facultativo - Segundo Falci, os ofícios foram encaminhados entre terça e quarta-feira e, até o fechamento desta edição, somente a União deu retorno, acusando o recebimento do documento e falando que encaminharia aos setores adequados.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que, em virtude do trabalho em ponto facultativo, decretado pelo prefeito Alexandre Kalil, desde o último dia 28, as partes responsáveis somente tomarão conhecimento oficial da solicitação na próxima segunda-feira (4).