CSN declara força maior a clientes

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31/05/2018 - Por Leonardo Francia

A CSN Mineração, braço para operações minerárias da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), declarou força maior a todos os seus clientes da área. O motivo foi a greve dos caminhoneiros, que provocou a falta de insumos. As operações de produção de minério de ferro da CSN estão concentradas no Estado e são responsáveis pelo fornecimento do minério de ferro que alimenta os altos-fornos da usina siderúrgica do grupo, em Volta Redonda (RJ), além de atender outros clientes.

Basicamente, força maior significa que a siderúrgica está declarando que um fator externo, fora do controle da companhia (no caso, a greve dos caminhoneiros), interferiu na produção, afetando fornecimento de insumos. A declaração é uma forma de a empresa se resguardar de penalidades previstas em contrato de fornecimento de minério para clientes, caso, por exemplo, o prazo de entrega não seja cumprido.

A reportagem apurou, com fontes de mercado e ligadas à CSN, que a paralisação dos caminhoneiros afetou a entrega de vários insumos, entre eles, explosivos, aglomerantes e suprimentos em geral, especialmente nas operações em Congonhas, onde está localizada a mina de Casa de Pedra, limitando a produção. Outro problema relatado foi a falta de combustível para fazer o transporte.

Além disso, a empresa também teve de recorrer a ações liminares na Justiça para conseguir reabastecimento de combustível na mina e no porto, em Itaguaí (RJ), para onde é escoado o minério de Congonhas, com destino a clientes da Ásia e da Europa. A companhia também dispensou funcionários administrativos, dando prioridade às operações. Procurada pela reportagem, a CSN não se posicionou sobre o assunto.

Além das operações de siderurgia e mineração, a CSN também tem uma fábrica de cimentos, em Arcos, no Centro-Oeste de Minas. A unidade recebeu investimento de R$ 1,6 bilhão e tem capacidade de produção de 2,3 milhões de toneladas de cimento por ano e de 9,3 mil toneladas de clínquer (um tipo de subproduto na produção de cimento) por dia. A empresa não comentou se as operações da unidade de cimento sofreram alterações em função da greve dos caminhoneiros.

No entanto, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) informou que 70% das fábricas em todo o Brasil estão fora de operação, em decorrência da greve dos caminhoneiros. Levantamento da entidade mostrou que, desde a última segunda-feira, 28, o problema se agravou e, no momento, menos de 3% da quantidade média diária de cimento distribuída no País está chegando ao destino.

Desempenho - O desempenho da indústria brasileira do aço foi positivo no 1º quadrimestre de 2018, segundo dados do Instituto Aço Brasil (Aço Brasil). A produção de aço bruto alcançou 11,6 milhões de toneladas de janeiro a abril, crescimento de 4,1% frente ao mesmo período de 2017. Nesta comparação, as vendas internas aumentaram 14,7% e o consumo aparente teve alta de 13,4%.