Crise sem liderança definida

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31/05/2018 - Por Aristoteles Atheniense*

A causa primária da greve dos caminhoneiros foi o reajustamento do óleo diesel, ocorrido nas últimas semanas.

Em julho de 2017, a Petrobras passou a fazer revisões diárias nos valores cobrados nas refinarias pelo diesel e gasolina. A mudança na política de preços coincidiu com a forte alta do dólar e do petróleo no mercado internacional.

Na mesma ocasião, foi elevada a alíquota do PIS/Cofins sobre os combustíveis, que constituiu um recurso a mais de que o governo lançou mão para ampliar a sua receita. A alíquota, que era de 0,21 por litro de diesel, com essa majoração sofreu um acréscimo de 12,5% nas bombas.

Como era de se esperar, o governo do presidente Temer, que padecia de baixa aprovação, a partir da segunda-feira última tornou-se alvo do coro “fora Temer”, “Lula livre” e “Intervenção militar, já”. Essa última opção já fora proposta por ocasião do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O movimento paredista contou com expressiva simpatia nas primeiras horas de sua deflagração. A sua justificativa prendeu-se ao fato de que os transportadores sempre acertaram o preço do frete com seus clientes por um determinado valor. A majoração diária do preço do diesel inviabilizou o repasse do aumento do frete. Esta ascensão, obviamente, seria repassada aos consumidores, gerando forte impacto inflacionário.

A situação tornou-se ainda mais grave pelo fato de que a greve contou com estímulo dos donos de empresas de transportes que, insatisfeitos com a redução de sua rentabilidade, promoveram o locaute, que é infração penal.

A maior dificuldade que o governo enfrenta está em saber quem representa realmente a classe descontente, que não tem líderes, mas somente porta-vozes de grupos diversos, que não guardam a mesma sintonia em suas pretensões.

As concessões feitas aos grevistas deixaram à mostra a perda da autoridade do presidente. Temer está cercado de auxiliares que disputam o privilégio de transmitir ao povo as deliberações havidas, preocupados mais em obter prestígio pessoal do que debelar a convulsão atual.

Esses desencontros concorrem para aumentar a intranquilidade que grassa em todo o país, sem perspectivas de solução em prazo razoável.

*Aristoteles Atheniense é Advogado, Conselheiro Nato da OAB, Diretor do IAB e do Iamg.