Economia mineira perde R$ 6,6 bilhões em uma semana
e Fiemg pressiona pela desobstrução das estradas

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Com a greve dos caminhoneiros, que já dura mais de uma semana em todo o País, as perdas da economia mineira chegaram a R$ 6,6 bilhões, entre os dias 22 a 27 de maio, de terça a domingo. Somente no setor industrial os prejuízos somaram R$ 1,35 bilhão no período e preocupam a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que exige a desobstrução das estradas e a normalização do transporte de cargas, mesmo que, para isso, o governo tenha que fazer uso de forças militares.

O comunicado foi feito pelo presidente da entidade, Flávio Roscoe Nogueira, após tomar conhecimento da situação dos diversos setores produtivos do Estado, em reunião com mais de 100 sindicatos produtivos na tarde dessa segunda-feira (28). Após o encontro, a Federação elaborou uma carta alertando a sociedade para um risco de desabastecimento total nos próximos dias, conscientizando os caminhoneiros e exigindo algumas medidas dos governos estadual e federal.

Em conversa com a imprensa, Roscoe definiu como legítimo o pleito dos caminhoneiros, mas alertou para os riscos da continuidade da paralisação, incluindo um desabastecimento completo de determinados setores da indústria, com destaque para o alimentício. Segundo ele, mais de 90% das reivindicações da classe foram atendidas com as medidas anunciadas no último domingo pelo presidente Michel Temer (PMDB) e a manutenção da greve passa a ser uma irresponsabilidade.

"Os prejuízos a partir de agora serão irreparáveis. Com a suspensão do sistema produtivo, o País entrará em colapso e o caos se instalará. E, mesmo que os veículos voltem a rodar amanhã, vários setores terão suas atividades prejudicadas e precisaremos de três a quatro dias para recuperar cerca de 70% do abastecimento", alertou.

Ainda conforme o presidente, além do setor alimentício, outros também já somam prejuízos no Estado, como o siderúrgico e até o financeiro. Para ele, daqui para frente, as perdas serão ainda maiores. "Poderá haver aumento do desemprego, atraso generalizado no pagamento de salários nos setores público e privado etc, sem contar que, se as indústrias não conseguirem vender por falta de produção, não terão como pagar salários ou honrar compromissos com fornecedores e bancos", elencou.

Governo estadual - Ainda na tarde desta segunda-feira o dirigente se encontrou com o governador Fernando Pimentel (PT) para apresentar possíveis soluções para a situação. Entre as medidas propostas, algumas emergenciais, tais como a desobstrução dos pontos mais críticos; a retomada do abastecimento de combustíveis e de gêneros alimentares perecíveis. "Há também a sugestão da criação de uma moratória, de forma que não haja uma inadimplência exacerbada no País", disse.

Além disso, o presidente da Fiemg levou também pleitos de longo prazo, que dizem respeito, principalmente, à redução e gestão do Estado. "Não adianta reduzir impostos ou subsidiar o diesel, se o Estado ainda gasta mais do que arrecada. A conta continua sem fechar e ela sempre vai sobrar para a população", completou.

MARA BIANCHETTI