Falta de mercadorias leva supermercados a fecharem as portas de algumas lojas

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Falta de mercadorias leva supermercados a fecharem as portas de algumas lojas

29/05/2018 - Ana Amélia Hamdan

A paralisação dos caminhoneiros completou uma semana ontem e seus impactos vêm se acentuando em diversos setores. Nos supermercados, a cada dia, as prateleiras ficam um pouco mais vazias, devido às dificuldades de reposição. Maior rede supermercadista de Minas, a Supermercados BH informou ontem que terá que começar a fechar algumas de suas lojas, por falta de mercadoria, caso a greve permaneça nesta semana.

“As nossas lojas do interior estão sofrendo o maior impacto, com mercadorias faltando. Nossos caminhões não conseguem transitar nas rodovias. O BH está em 48 cidades de Minas e a gente tem o desafio logístico de atravessar o Estado”, explicou a gerente de Marketing do grupo, Kátia de Castro Andrade. Ao todo, a rede tem 180 lojas.No domingo, as lojas da Capital não abriram, porque não houve transporte público, impossibilitando os funcionários de chegarem ao trabalho.

Kátia Andrade informou que o fluxo das lojas, da última quinta-feira até agora, triplicou, com muitos consumidores buscando fazer estoques de produtos, principalmente os de primeira necessidade, como arroz, feijão, açúcar e água. “Estamos vivendo um dia por vez. A diretoria está fazendo monitoramento constante para a tomada de decisões”, disse. Ela ressalta que a rede vem mantendo o preço do que está em estoque.

Concentrado no Sul de Minas, o GF Supermercados não consegue levar para as suas lojas as mercadorias que estão estocadas no Centro de Distribuição (CD). Gerente de Marketing da rede, Luiz Augusto Almeida explicou que o CD está na Rodovia Fernão Dias, em Três Corações, em ponto onde há concentração de caminhoneiros grevistas. “As mercadorias estão prontas para irem para a loja, mas nada entra e nem sai de lá”, revelou. Segundo ele, a rede registra falta de perecíveis e vem tendo quedas acentuadas de produtos como arroz e óleo. Os preços das mercadorias em estoque estão mantidos.

Desde o início do movimento grevista até ontem, o grupo registrou queda de 15% nas vendas. Almeida explica que, inicialmente, houve um aumento no movimento, com pessoas buscando estocar produtos. Em seguida, inclusive devido às limitações orçamentárias das famílias, as vendas começaram a cair. “Esperávamos um aumento nas vendas no próximo feriado (31), mas, com a greve, isso não vai acontecer”, ponderou. A rede GF Supermercados tem 11 unidades e está presente em sete cidades do Sul de Minas.

Funcionários sem transporte - A Associação de Supermercados de Minas Gerais (Amis) informou ontem que a situação dos supermercados agravou-se no fim de semana. Algumas redes importantes da Capital – como Epa, Supernosso e Verdemar – optaram por fechar a maioria ou a totalidade de suas lojas. A medida foi tomada não por falta de estoque, mas porque não houve transporte público, impedindo que funcionários chegassem aos locais de trabalho.

De acordo com a Amis, a chamada ruptura, que ocorre quando a capacidade de ter algo na prateleira é interrompida – ainda está concentrada nos produtos perecíveis. O estoque das demais mercadorias começa a preocupar caso a situação não se normalize no prazo aproximado de três dias.

Em nota divulgada ontem, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou que, como os supermercados operam com estoque médio de não perecíveis para 15 dias, muitos já estão chegando à metade de seu abastecimento. A associação alerta que, mesmo após a greve, o setor levará de cinco a 10 dias para normalizar o abastecimento. A Abras informou ainda que encaminhou ofício às associações estaduais com orientações para evitar a prática abusiva de preços.