Faturamento dos restaurantes em Minas deve cair até 30% em maio após greve dos caminhoneiros

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01/06/2018 - Por Thaíne Belissa. Foto: Alisson J. Silva.

A greve dos caminhoneiros pode ter sido encerrada, mas os prejuízos e rombos nas contas dos empresários de bares e restaurantes de Belo Horizonte estão muito longe de acabar. Depois de viverem dias de sufoco em busca de insumos, gás e lidando com a ausência de funcionários e o sumiço dos clientes, os empresários do setor devem amargar uma queda de 25% a 30% no faturamento de maio, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG). Por outro lado, com o abastecimento de insumos e gás normalizado, a expectativa da associação é que o movimento nos estabelecimentos comece a voltar no fim de semana.

De acordo com o presidente da Abrasel-MG, Ricardo Rodrigues, os empresários travaram, nos últimos dias, uma verdadeira luta para manter seus estabelecimentos de portas abertas. Ele afirma que o último domingo, dia 27 de maio, foi um dos piores para o setor. Nesse dia, 50% dos estabelecimentos de Belo Horizonte não operaram e, aqueles que abriram as portas, tiveram um movimento que chegou a ser 40% a 50% menor do que em domingos comuns. “Os restaurantes estavam funcionando enquanto tinham gás ou enquanto tinham determinado insumo. O plano era: quando acabar, o estabelecimento fecha”, relata.

Rodrigues afirma que a greve deve gerar um prejuízo em torno de 25% a 30% no faturamento do setor em maio, podendo ter reflexos na receita de junho também. De acordo com ele, a situação de abastecimento de insumos e de gás na Capital já está normalizada e a expectativa é que o movimento nos restaurantes comece a voltar no fim de semana. “O feriado de quinta-feira já teve um resultado melhor e a expectativa é que a retração no fim de semana não seja tão alta, tendo em vista que muitas pessoas não viajaram e devem usar os restaurantes como entretenimento”, afirma.

Proprietário da Espeteria Dui e Sidoca, no Barreiro, Júlio César Gonçalves calcula um prejuízo de R$ 6 mil no período da paralisação dos caminhoneiros. Segundo ele, o último fim de semana foi o pior, quando viu seu público reduzir cerca de 25%. Na segunda e na terça-feira desta semana ele preferiu nem abrir o estabelecimento para não ter tanto prejuízo. “Também tive dificuldade de encontrar hortaliças e cheguei a pagar R$ 8 no quilo do limão, sendo que normalmente compro por R$ 1,98”, afirma.

Fim de semana - Segundo Gonçalves, o movimento começou a melhorar na quarta-feira, véspera de feriado de Corpus Christi, quando a greve foi considerada encerrada. Ele está otimista em relação ao fim de semana e espera um aumento nas vendas de 10%. “Acredito que as pessoas não vão mais viajar, mas devem sair nas suas regiões para almoçar e jantar”, aposta.

Já o empresário Fabrício de Paula Lana Silveira, que é proprietário do restaurante Boi Vitório, localizado no bairro Cruzeiro, na região Centro-Sul da Capital, não está tão certo sobre a recuperação dos resultados no fim de semana. Ele afirma que é difícil prever o que pode acontecer. “Se as famílias conseguirem abastecer seus carros o movimento pode aumentar. Mas o abastecimento pode não ser normalizado por completo. Ou, se for, as famílias podem decidir viajar de última hora, pois muita gente emendou o feriado. E ainda tem essas mensagens sobre a volta da greve na semana que vem, então é muito difícil dizer o que vai acontecer”, analisa.

Durante a greve, movimento no restaurante caiu cerca de 10% no horário de almoço, já que muitos funcionários de empresas no entorno não foram trabalhar. À noite a queda foi ainda maior: cerca de 30%. Silveira também enfrentou dificuldades para comprar gás e teve que ir a Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para conseguir um botijão. Para garantir que os funcionários não faltassem, ele fez várias viagens pela cidade, buscando e levando os colaboradores em casa. “Teve dia que eu comecei a buscar funcionário às 4 horas, passei o dia todo fazendo isso e deixei o último em casa às 2 horas do outro dia”, conta.