Greve derruba vendas nos shoppings centers em 70%

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Os efeitos da greve dos caminhoneiros atingiram com força os shoppings centers. De quarta-feira até domingo, as lojas dos centros de compras localizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte registraram queda de 70% nas vendas. A informação é do superintendente da Associação de Lojistas de Shoppings de Minas Gerais (Aloshopping MG), Alexandre Dolabella França. Para chegar a esse número, a associação fez um levantamento junto aos comerciantes. “É uma situação pela qual nunca passamos antes”, afirmou.

Para tentar minimizar os prejuízos, a associação tentará negociar com as administradoras dos shoppings a redução de sete dias, cerca de 20%, no valor do aluguel. “Estamos também orientando os comerciantes a negociar prazos com os fornecedores”, disse França. Segundo ele, alguns lojistas terão dificuldade em fazer os acertos com seus funcionários.

A paralisação vem impactando o comércio como um todo, mas França explica que, no caso dos shoppings, os prejuízos tendem a ser maiores, porque a maioria dos consumidores se dirige aos centros de compra usando carro. Com o desabastecimento de combustível, o movimento vem caindo acentuadamente. No domingo, quando não houve transporte público em Belo Horizonte, poucas lojas de shoppings abriram as portas. “E quem abriu relatou que as vendas foram fracas”, contou.

Com essa situação, as vendas dos Dias dos Namorados, data que costuma aquecer o comércio, ficarão prejudicadas. Segundo França, os lojistas já fizeram suas encomendas, mas as mercadorias não estão chegando ao comércio.

Alexandre França ressaltou que os comerciantes sofreram com perdas durante três anos de crise e, em 2017, ensaiaram uma pequena melhora. Agora, devido aos impactos da greve, registram novas perdas. “O lojista vem trabalhando sem sobras”, pontuou. Para hoje e amanhã, a perspectiva é que a situação não melhore, com o anúncio da greve do metrô e paralisação dos petroleiros.

Ponto facultativo - Ele apontou ainda que o fato de o prefeito Alexandre Kalil ter decretado ponto facultativo na Prefeitura de Belo Horizonte até sexta-feira vai reduzir mais o movimento no comércio. “Entendemos a necessidade da medida, mas é um impacto a mais”, lamentou.

À frente da loja de artigos esportivos Arquibancada, com 11 unidades em shoppings da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de Ipatinga, no Vale do Aço, o empresário Ewerton Starling informou que registrou queda de 70% nas vendas no comparativo de sábado passado com o anterior. “Em uma das lojas, foram vendidos R$ 69 no domingo”, relatou.

O empresário disse que vem passando pela situação com posicionamento de liderança. “Venho trabalhando e vou continuar abrindo normalmente enquanto sobrar uma gota de combustível. Sou uma liderança e venho agindo com otimismo até que essa situação passe. Dia 1º está chegando e os aluguéis estão vencendo”, lembrou ele ontem.

ANA AMÉLIA HAMDAN