Indústria do aço em Minas amarga os efeitos da greve

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30/05/2018 - Leonardo Francia

O parque siderúrgico mineiro está sofrendo com a greve dos caminhoneiros. Várias usinas e operações de grupos produtores de aço dentro do Estado estão enfrentando problemas, principalmente no que se refere à entrada de insumos e matérias-primas e no escoamento da produção. De acordo com o Instituto Aço Brasil (Aço Brasil), ainda não há dados finais do impacto da paralisação dos caminhoneiros, mas já são 11 altos-fornos abafados, além de 15 laminações paralisadas e aproximadamente 10 aciarias também com operações paradas.

“No caso dos altos-fornos, existe uma preocupação com o abafamento, porque depois de um determinado tempo-limite, varia de oito a dez dias, pode ocorrer o resfriamento do equipamento e a solidifi cação da carga dentro do forno. Isso é sensível e preocupa”, pontuou o presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. “Tudo isso está acontecendo fundamentalmente devido ao estrangulamento na entrada de matérias-primas e insumos, principalmente de carvão vegetal, sucata e cal, que são transportados por rodovia. Todo o parque está afetado direta ou indiretamente. Quem dispõe de linha férrea está com uma condição um pouco melhor”, completou o representante do setor.

Usiminas – Na Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), apesar de a companhia não comentar o assunto, fontes ligadas à siderúrgica confirmam que os impactos da greve dos caminhoneiros nas operações estão se agravando. A siderúrgica ainda estaria mantendo a produção do alto-forno 1 da Usina de Ipatinga, no Vale do Aço, aquecida, mas operando a uma carga mínima. O equipamento foi religado há pouco mais de um mês, depois de 34 meses abafado. A empresa, que desde o final da semana passada já estava com dificuldades para entregar as bobinas de aço para alguns clientes por transporte rodoviário, também estaria com falta de cal, usada para proteger a parede refratária dos altos- -fornos.

Isso, junto com uma operação a carga mínima do equipamento, poderia comprometer o forno e até mesmo a qualidade do aço produzido, segundo informou uma fonte, em sigilo. O problema causado pela greve dos caminhoneiros é que, apesar de a usina ter estoques de minério baixos desde a semana passada, boa parte do insumo que a companhia usa nos seus fornos vem da Mineração Usiminas (Musa) e é transportada da região de Itaúna para Ipatinga por rodovia. Além disso, o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa) confirmou que recebeu informações de que o pessoal do administrativo teria sido dispensado ou colocado em home office pela empresa, desde a última sexta-feira.

Gerdau - Em comunicado enviado ao mercado, via B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), a Gerdau confi rmou que “a paralisação dos caminhoneiros no território nacional está impactando a produção e o transporte de insumos e produtos”. A companhia informou, ainda, que está tomando todas as medidas preventivas e mitigatórias possíveis com o intuito de minimizar os impactos decorrentes das paralisações nas estradas.

A companhia não detalhou quais são essas medidas ou quais, de fato, foram os impactos nas operações e na produção. Por outro lado, a empresa afirmou que as atividades do grupo fora do Brasil “seguem operando normalmente”. Em Minas, a Usina Ouro Branco da Gerdau, instalada no município de mesmo nome, na região Central, está localizada próxima aos ativos minerários da companhia, em Itabirito (Várzea do Lopes) e em Ouro Preto (Miguel Burnier). Além disso, a planta em Ouro Branco é atendida por ramais ferroviários.

Uma das linhas é da Valor da Logística Integrada (VLI), que leva até o porto de Vitória (ES), onde a companhia tem participação no terminal. A outra ferrovia é da MRS Logística, que facilita o escoamento de produtos até o porto do Rio de Janeiro para exportação.

Aperam - A Aperam South America, com planta em Timóteo (Vale do Aço), também teve sua produção impactada pela greve dos caminhoneiros. Os reflexos da paralisação na entrega de insumos e no escoamento de produtos acabados foram os principais motivos que levaram a empresa a diminuir o ritmo de produção, como confirmou a companhia sem entrar em detalhes. “É prematuro estimar eventuais consequências, pois estamos trabalhando para otimizar o uso de recursos e equipamentos”, completou, em nota, a empresa.

A Aperam é produtora integrada de aços planos inoxidáveis e elétricos, além de aços planos especiais. A capacidade instalada no complexo de Timóteo é de 900 mil toneladas de aço líquido.

São dois altos-fornos que utilizam apenas carvão vegetal como energia renovável. A empresa tem cerca de 3,5 mil funcionários, distribuídos na siderurgia e na área ambiental.