Paralisação agrava situação do setor

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Paralisação agrava situação do setor

30/05/2018 - Leonardo Francia

A greve dos caminhoneiros se junta a um bolo de fatores que vêm prejudicando o desempenho da indústria nacional do aço. As perdas, que ainda não foram contabilizadas e nem relatadas pelas usinas, prometem dificultar ainda mais as operações do setor nos próximos meses.

O setor vem sofrendo pressão, de um lado, do encolhimento do mercado interno, e de outro, com a dificuldade de ser competitivo no exterior, além de um excedente de capacidade de produção mundial da ordem de 735 milhões de toneladas de aço, sendo 405 milhões de toneladas só na China. Com isso, conforme o Instituto Aço Brasil (Aço Brasil), o parque siderúrgico voltou aos patamares de 2005, em termos de vendas, e de 2013, em relação à produção. A indústria siderúrgica brasileira também sofre com medidas protecionistas tomadas mundo afora e com a falta de proteção contra importações, especialmente de produtos com aço, como estruturas metálicas, a maior parte da China.

Recente exemplo disso foi a imposição de uma taxa de 25% sobre a importação de aço pelos Estados Unidos, que responde por um terço das vendas externas do produto pelo Brasil. O País ainda está isento, mas a decisão fi nal do governo norte-americano está para ser divulgada. No mercado interno, até agora, as estimativas do Aço Brasil indicam que as vendas de aço só retornarão aos níveis de 2013 em 2027, ou seja, 14 anos depois.

Como não bastasse, mediante as medidas concedidas ao setor de transporte, o governo federal sinalizou que pode antecipar de dezembro para este mês o fi m do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), o que pode onerar ainda mais o parque siderúrgico do País. “O Reintegra não é incentivo fiscal, mas sim um mecanismo de ressarcimento de resíduos tributários. O setor não pode ser penalizado pela retirada de um mecanismo que compensa uma anomalia do sistema tributário nacional”, afirmou o presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. Atualmente, o percentual de ressarcimento tributário do Reintegra para a indústria do aço é de 2%, e o setor pleiteava junto ao governo federal passar para 5%.