Preços do leite seguem em alta em Minas Gerais

Oferta é reduzida em virtude da entressafra e das perdas com a crise no setor de transporte de cargas

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06/06/2018 - Por Michelle Valverde

A menor oferta de leite, devido ao período de entressafra, tem contribuído para que ocorra recuperação dos valores pagos pelo produto. Em maio, pelo quarto mês consecutivo, foi verificada alta de 6,77% no preço médio líquido do litro de leite em Minas Gerais, com o volume negociado a R$ 1,29. A tendência é de novas valorizações. Além do período de baixa captação, a paralisação dos caminhoneiros comprometeu a retirada do leite das fazendas, provocando o descarte e uma redução ainda maior da oferta. Outro impacto que reduzirá a oferta do leite é a alimentação do rebanho, que também foi reduzida com a greve dos caminhoneiros e afeta a produtividade das vacas.

De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em maio, referente à produção entregue em abril, o produtor de Minas Gerais recebeu, em média bruta, R$ 1,41 por litro de leite negociado. O valor ficou 7,15% superior ao praticado no mês anterior.

Os valores pagos pelo leite, em Minas Gerais, estão aumentando desde o pagamento de fevereiro, referente à produção entregue em janeiro. No intervalo, o litro de leite passou de R$ 1,05, em fevereiro, para R$ 1,29, em maio, o que representa um incremento de 22,8% no valor líquido. Já o preço bruto passou de R$ 1,15, em fevereiro, para R$ 1,41, em maio, variação positiva de 22,06%.

Assim como em Minas Gerais, que é o maior produtor de leite nacional, a média de preços praticados no País também está maior. De acordo com média Brasil, calculada pelo Cepea através dos dados coletados nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o preço líquido foi de R$ 1,25 por litro de leite, alta de 8,4% frente ao mês anterior e de 24,2% no acumulado parcial deste ano.

A alta nos preços reflete o período de entressafra no setor lácteo, com redução de 1,46% no Índice de Captação de Leite (Icap-L) de abril em relação a março de 2018, acumulando queda de 11,6% em 2018.

De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo de Carvalho Pena, para o próximo pagamento, a tendência é de nova valorização dos preços pagos aos pecuaristas de leite.

Paralisação - Além da entressafra, o que valoriza o preço do leite, a paralisação dos caminhoneiros provocou grandes prejuízos à cadeia leiteira de Minas Gerais. “Com a falta de transporte para escoar o leite do campo para a indústria, cerca de 100 milhões de litros foram descartados no Estado e deixaram de ser industrializados. Com a retomada das indústrias, que não podem ficar ociosas, a tendência é de grande procura pela matéria prima”, explicou Pena.

Outro fator que pode sustentar a alta do leite é que, em virtude dos bloqueios das rodovias, o transporte de insumos essenciais à atividade leiteira, como a ração, por exemplo, também foi comprometido e afetou a capacidade de produção do rebanho. Em várias unidades produtoras, o alimento oferecido ao rebanho foi em menor quantidade e a tendência é de queda na produtividade. Dessa forma, a expectativa é de retração na oferta de leite.

A valorização do preço do leite é fundamental para a recuperação dos prejuízos no campo. De acordo com Pena, os pecuaristas acumulam perdas significativas com a eliminação do leite. Além da perda do produto, houve gastos para que o descarte fosse feito da forma correta.

“O descarte do leite demanda recursos porque tem que ser feito corretamente para evitar a contaminação do meio ambiente. É preciso ressaltar que, pelas leis, é proibida a doação do produto in natura. Os pecuaristas também não possuem estrutura e nem condições de produzir queijos com todo o leite que é enviado as indústrias. Por isso, o descarte é a saída nestes casos”, disse Pena.