Supermercados mineiros driblam dificuldades para tentar manter as vendas

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02/06/2018 - Por Juliana Baeta. Foto: Alisson J. Silva.

O Diário do Comércio ouviu supermercados das cidades mais populosas de cada mesorregião de Minas Gerais para saber como a greve dos caminhoneiros, que começou no dia 21 de maio, afetou o abastecimento desses estabelecimentos e o comportamento de consumo da população. O uníssono é que os produtos hortifrutis estão em falta há cerca de uma semana, forçando algumas empresas que deixaram de receber os alimentos do Ceasa a comprarem de produtores locais para manter o estoque.

Em alguns supermercados, os caminhões que entregam os produtos perecíveis acabam passando por estradas vicinais para fugir dos bloqueios dos caminhoneiros nas estradas. A maioria dos empresários acredita que a situação deve se normalizar na próxima semana, caso não haja uma nova paralisação nesta segunda-feira (4).

Em Paracatu, na região Noroeste do Estado, o supermercado Serve Bem já registra prejuízo em seus negócios por conta da paralisação. É que o estabelecimento fornece alimentos a diversos órgãos públicos e, com a paralisação nos serviços por conta da greve e da falta de combustível, as vendas diminuíram bastante. De acordo com uma das sócias do Serve Bem, Kênia de Souza, foi preciso limitar os produtos por cliente para que não faltem ainda mais alimentos nas prateleiras.

“Tem alguns clientes que ficam desesperados com a situação e acabam comprando grandes quantidades do mesmo produto, por isso, limitamos as vendas a três unidades por item. Estamos sem o abastecimento de produtos perecíveis como frutas e verduras, que compramos semanalmente do Ceasa e produtores locais. O resto dos produtos está dando para levar, porque temos em estoque, que compramos mensalmente. Outra medida que tivemos que tomar para economizar combustível, por exemplo, foi limitar as entregas que fazíamos. Se a compra for pequena, não compensa entregar”, explica.

Na mesma cidade, o supermercado Carretão também notou a falta de frios, verduras e alguns produtos da cesta básica. Para driblar a crise, o supermercado substitui os produtos em falta por produtos de outra marca. O gerente Max Antônio conta que, desde essa quinta-feira, a situação começou a se normalizar e alguns caminhões já voltaram a entregar no estabelecimento.

O Minaspetro informou que recebeu informações das bases das companhias distribuidoras garantindo que os carregamentos acontecerão 24 horas por dia durante o final de semana para suprir a alta demanda. “Diante deste contexto, esperamos que a situação na RMBH esteja normalizada – quase que em sua totalidade – a partir da próxima segunda-feira, 4 de junho”, afirmou, em nota, a entidade.

Preços em alta - Já em Barbacena, no Campo das Vertentes, o alto preço de alguns produtos surpreendeu os comerciantes. O dono do supermercado Planalto, Luiz Carlos Altieri, relata que o quilo do filé de peito de frango, por exemplo, que custava cerca de R$ 6,00, já está passando de R$ 8,00. No local, os produtos que mais ficaram em falta foram as carnes e os legumes. Mas sobre os prejuízos, o empresário calcula que, para o seu negócio, houve um efeito contrário ao esperado.

“Para mim, até que foi bom, porque como somos um comércio de bairro, o pessoal deixou de ir aos supermercados maiores para economizar gasolina e veio ao nosso. Percebi a presença de muitos clientes novos nos últimos dias”, conta.

Em Montes Claros, no Norte de Minas, os principais produtos do supermercado SuperKilo afetados pelo desabastecimento foram os suínos in natura, a floricultura, as frutas e o galão de água mineral de 20 litros. Ainda assim, o estabelecimento não ficou totalmente desabastecido em nenhum produto, porque os caminhões de produtores locais que se tornaram fornecedores, traçaram rotas alternativas em estradas vicinais para furar os bloqueios dos caminhoneiros. O preço desses produtos que empreenderam uma verdadeira rota de fuga, no entanto, não ficaram nada convidativos.

“Nesta hora, os produtos seguem a lei da oferta e da demanda. Os produtores têm que vender um pouco mais caro e a gente acaba tendo que repassar isso para o consumidor para não ficar no prejuízo. O saco de batatas, por exemplo, que tem 50 quilos, está custando R$ 300, sendo que o normal é R$ 100. Mas para não ficar sem os produtos, a gente fecha o olho um pouco para a crise e tenta de todas as formas obter a mercadoria, sem olhar muito a questão de preço”, relata o diretor comercial do estabelecimento, Felipe Pinheiro.

Ele acredita que tudo seja normalizado em uma semana, já que muita carga não-perecível que estava parada nos caminhões na estrada já voltaram a trânsito e estão para chegar.

Demora para regularizar - O gerente do supermercado Leal, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Leandro Humberto Santos, está um pouco mais pessimista quanto ao prazo de normalização do abastecimento.

“Acredito que vai demorar um mês ainda para tudo voltar ao normal. No Leal, por exemplo, usamos gerador de energia a diesel e os caminhões tanques simplesmente não estão chegando. Os postos estão proibindo de levar o combustível em galões, e o meu diesel dura até o fim de semana, no máximo, depois, não sei como vamos fazer”, lamenta.

No supermercado, já estão em falta as massas, os farináceos e o cereais, alguns enlatados, os hortifrutis e a carne suína. O leite também pode ficar em falta, visto que o estoque já está acabando e não há previsão de entrega. Para não perder clientes, Santos conta com a empatia.

“Estamos mantendo o supermercado aberto e vendendo os produtos que ainda temos em estoque. Se fosse em uma situação normal e faltasse algum item, muito cliente ficaria bravo, xingaria. Mas nesta situação, eles estão cientes do que está acontecendo e estão mais compreensivos”, conta.

Em Curvelo, na região Central, o supermercado Ki Jóia também mantém as portas abertas mesmo com a falta de muitos produtos nas prateleiras. “Notamos a falta de algumas variedades de feijão e também de farinha de trigo, alguns enlatados, frios e verduras. Mas pelo menos os produtos que vêm da indústria, como os frios, já estão voltando a chegar pra gente. Quanto às verduras, também estamos com uma entrega do Ceasa para chegar. A falta de alguns produtos não me deu muitos prejuízos, porque em outros produtos, eu tinha um estoque de segurança e então estava um pouco preparado para essa situação. Continuamos vendendo, mas com restrições”, explica o proprietário, Dirceu Mendes Soares.