Varejo perde R$ 470 mi ao dia em Minas

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31/05/2018 - Por Ana Amélia Hamdan. Foto: Alisson J. Silva

Com dificuldades para repor estoques, enfrentando redução no fluxo de clientes e com queda nas vendas – problemas que surgem como reflexo da greve dos caminhoneiros –, o comércio varejista em Minas Gerais está registrando perdas diárias de R$ 470 milhões, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG). De acordo com pesquisa realizada com cerca de 100 varejistas na Capital, pelo menos 14% deles tiveram que fechar as portas ao menos um dia devido à paralisação.

“Todos os dias, levando-se em conta a totalidade dos segmentos varejistas de Minas, estão ocorrendo perdas aproximadas de R$ 500 milhões. A greve dos caminhoneiros afeta toda a cadeira produtiva, desde o produtor rural, que vem sendo obrigado a descartar seu produto, até o varejo, chegando ao consumidor”, diz o economista da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida. A estimativa de perdas foi feita com base em cálculos da Fecomercio paulista. No País, os prejuízos chegam a R$ 5,4 bilhões por dia.

Almeida explica que há dois principais impactos da greve dos caminhoneiros para o varejo. Um deles incide sobre o comerciante que vende produtos perecíveis, como frutas e verduras. “Os comerciantes que vendem produtos de primeira necessidade, não duráveis, sofrem com a falta de reposição do estoque”, disse.

Os demais varejistas, que trabalham com produtos duráveis e semiduráveis, como móveis e roupas, estão sofrendo principalmente com a queda no fluxo de clientes. E isso ocorre porque muitas pessoas estão concentrando seus gastos nas compras de primeira necessidade e para abastecer o veículo – quando conseguem enfrentar as longas filas.

“A greve já dura 10 dias e vem perdendo a força, mas o cenário de incerteza leva o consumidor a direcionar as compras para bens de primeira necessidade”, disse Almeida. Além disso, a dificuldade de mobilidade causada pelo desabastecimento de combustível leva à redução do fluxo de consumidores.

Para detectar como o varejo está sentindo o impacto, a Fecomércio-MG também realizou uma pesquisa com 92 varejistas de Belo Horizonte, no último dia 28, e constatou que 14% das empresas deixaram de funcionar ao menos um dia, sendo que 30% delas encerraram o expediente mais cedo. Isso ocorreu por falta de mercadoria ou por dificuldade dos funcionários em chegar ao local de trabalho.

Todos os entrevistados disseram estar sofrendoos impactos da greve. O principal problema mencionado foi o baixo fluxo de clientes e vendas, citado por 67% dos entrevistados. Outros entraves são falta de estoque (40%); ausência de insumos para o funcionamento da loja (16%), ausência de funcionários (10%) e atraso dos empregados (3%). Em função da amostragem, o levantamento não pode ser atribuído ao comércio varejista de modo geral.

Dia dos Namorados - Segundo Guilherme Almeida, o impacto da greve nas vendas do Dia dos Namorados – a ser comemorado em 12 de junho – ainda não foi mensurado, já que depende da duração do movimento. Mas ele alerta que os consumidores vão sentir a alta dos preços nos restaurantes e em produtos que comprarem para preparar o jantar em casa. “Como os produtores tiveram que descartar mercadorias, é um processo natural que haja aumentos. Haverá pressão sobre os preços, mas sem tirar a inflação do controle”, disse Almeida. Segundo o economista, essa alta estará concentrada nos produtos perecíveis.

O economista também informou que a Fecomércio-MG vem acompanhando o movimento dos caminhoneiros, principalmente no que se refere a discussões sobre a carga tributária.Com dificuldades para repor estoques, enfrentando redução no fluxo de clientes e com queda nas vendas – problemas que surgem como reflexo da greve dos caminhoneiros –, o comércio varejista em Minas Gerais está registrando perdas diárias de R$ 470 milhões, segundo o levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG). De acordo com pesquisa realizada com cerca de 100 varejistas na Capital, pelo menos 14% deles tiveram que fechar as portas ao menos um dia devido à paralisação. Os comerciantes que vendem produtos de primeira necessidade, não duráveis, sofrem com a falta de reposição do estoque. Já os que trabalham com produtos duráveis e semiduráveis, como móveis e roupas, estão sofrendo com a queda no fluxo de clientes.