De 13.947 apartamentos negociados em 2018, apenas 207 foram vendidos no centro da Capital - Crédito: Alisson J. Silva Vista de BH - 02/02/07

Se por um lado regiões centrais são consideradas atrativas para o mercado imobiliário, devido às facilidades de locomoção e pelo acesso rápido a diversos serviços e lazer, por outro, demandam investimentos cada vez maiores em modernização e redução de custos, elevando o preço das unidades. Em Belo Horizonte, porém, o hipercentro não é destaque quando o assunto é venda de imóveis.

Pesquisa divulgada pelo Instituto Data Secovi, da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), aponta que, de um total de 13.947 apartamentos vendidos no decorrer do ano passado, apenas 207 foram comercializados no centro da capital mineira. Isso representa 1,48% do mercado.

A justificativa, segundo o diretor da CMI/Secovi-MG, Leonardo Matos, está justamente na falta de investimentos na modernização do espaço e dos imóveis, o que inclui a modernização de prédios e apartamentos.

“Na maior parte do mundo, as cidades cresceram ao redor do centro, que acabou se tornando uma área mais adensada e com maior infraestrutura, como disponibilidade de comércio, serviços, etc. No entanto, com o passar dos anos, essas regiões foram requalificadas, o que possibilitou um novo tipo de ocupação e crescimento”, explicou.

Plano diretor – Em Belo Horizonte isso não ocorreu. E o que é pior, segundo Matos, ainda há o agravante de políticas públicas e lei municipais que não colaboram com a revitalização dos empreendimentos ainda nos dias atuais. Ele se refere ao plano diretor da cidade e aos coeficientes de construção da região central.

“Para revitalizar a região, que possui um perfil adensado, o ideal seria que o Plano Diretor da Capital permitisse um coeficiente de aproveitamento maior que o atual e não o inverso, como o que está em votação na Câmara Municipal. Se a lei em vigor já dificulta qualquer movimento de modernização, a nova poderá piorar ainda mais este cenário e inviabilizar qualquer boom de investimentos na região”, alertou.

E o grande problema, segundo Matos, é que a falta de requalificação onera os custos e impede, cada vez mais, a comercialização dos imóveis. “Os prédios do centro da Capital são muito antigos e a maioria possui condomínios muito caros e não oferece garagem. Isso inviabiliza não só a comercialização como o próprio interesse pelos mesmos”, completou.

Para mudar este cenário, somente a adoção de políticas públicas adequadas e leis urbanísticas que não limitassem o coeficiente de construção.

Por fim, o diretor citou que a parte mais nobre da região ainda atrai compradores, mas que, ainda assim, em volumes bem inferiores que as outras regiões da Capital. Ele se refere à parte próxima ao Shopping Cidade, entre a rua Espírito Santo e a avenida Augusto de Lima.

IGP-M desacelera em maio

São Paulo – O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) desacelerou a alta a 0,45% em maio, depois de subir 0,92% no mês anterior, com menor pressão tanto dos preços no atacado quanto para o consumidor, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

No mês, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, reduziu a alta a 0,54%, de 1,07% em abril.

O destaque ficou para o grupo Bens Finais, que mostrou variação positiva de 0,01% em maio, ante avanço de 1,25% antes, com destaque para o comportamento do subgrupo alimentos in natura.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, desacelerou a alta a 0,35% no período, contra alta de 0,69% antes.

O grupo Alimentação deu a maior contribuição para o resultado do IPC, ao registrar queda de 0,12% depois de um avanço de 0,88% no mês anterior.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, teve avanço de 0,09% em maio, sobre 0,49% em abril.

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis. (Reuters)