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Realizados principalmente por grandes empresas interessadas em inovar de forma aberta, os hackathons são maratonas de programação focadas na resolução de um problema específico. Em Minas Gerais, eles estão se multiplicando, mas um em especial chama a atenção porque será realizado em uma instituição de saúde 100% pública: o Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN), localizado em Venda Nova. Iniciativa pioneira realizada em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), a ação, que ganhou o nome de Hackabloco, visa encontrar soluções inovadoras para tornar o bloco cirúrgico do hospital mais eficiente.

A demanda surgiu do próprio hospital, que hoje lida com uma equação de difícil resolução na gestão do seu único bloco cirúrgico. O espaço tem seis salas de atendimento, sendo que cinco são destinados a cirurgias eletivas, que são aquelas previamente agendadas e com menor grau de urgência. A sexta sala é exclusiva para as emergências, mas, na prática, essa logística não pode ser rigorosamente seguida, tendo em vista que há um elevado número de emergências no hospital.

“O Risoleta é um hospital com pronto-socorro e referência em trauma. Então, o que acontece é que, constantemente, precisamos cancelar as cirurgias eletivas para atender as emergências”, explica a coordenadora do bloco cirúrgico do HRTN, Leonor Ribeiro. Ela explica que o hospital já trabalha em soluções como a solicitação de ampliação do bloco, mas ela acredita que podem existir soluções alternativas que ajudariam no processo de atendimento.

“Acreditamos que um sistema de agendamento que seja mais ágil e que diminua a duplicidade de informações, por exemplo, pode ajudar. Outra solução que precisamos é de eficiência em comunicação. É uma demanda do ponto de vista humano porque muitos pacientes dão a má sorte de ter suas cirurgias canceladas muitas vezes. Já aconteceu de eu ouvir uma pessoa dizer que não tinha mais dinheiro para voltar ao hospital”, afirma.

A coordenadora acredita que o hackabloco pode trazer uma visão diferenciada dos problemas e contribuir para novas soluções. “São pessoas que vêm de outras áreas e que não estão dentro do hospital e, portanto, não têm olhar viciado. Acredito que podem surgir boas soluções desse projeto”, aposta. A maratona está com inscrições abertas e tem um limite de 50 pessoas. O hackathon acontecerá nos dias 16 e 17 de março e vai durar 36 horas.

De acordo com o líder de projetos de inovação da Fundep, Bernardo Annoni, a iniciativa busca candidatos que tenham formação e experiência nas seguintes áreas: tecnologia da informação, engenharia de produção, saúde e gestão. Os inscritos passarão por uma análise de especialistas da Fundep e os selecionados serão convocados para a maratona. Durante os dois dias da ação, os candidatos estudarão os problemas do hospital, levantarão hipóteses de resolução e construirão um produto mínimo viável (MVP).

Segundo ele, todas as ideias passarão pela análise de uma banca formada por profissionais do hospital e da Fundep. Os autores da melhor ideia receberão prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil. “Esse é apenas o primeiro passo para uma ação maior de inovação no Risoleta. A ideia dar continuidade às melhores propostas que surgirem no hackathon”, afirma.