Ações da Vale subiram 3,1% na última sessão em função do aumento na cotação internacional do minério de ferro | Crédito: Paulo Whitaker/ Reuters

São Paulo – O Ibovespa fechou em leve alta ontem, acima dos 103 mil pontos pela primeira vez desde meados de agosto, apoiado em blue chips e papéis relacionados a commodities, embora a fraqueza em Wall Street e ajustes em ações com forte valorização recente tenham afastado o pregão das máximas do dia.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,24%, a 103.180,59 pontos, após oscilar da máxima de 104.259,77 pontos à mínima de 102.792,78 pontos. O volume financeiro somou R$ 18,95 bilhões.

Na visão de Pedro Menezes, dados recentes da atividade econômica norte-americana e sinalizações positivas do imbróglio comercial EUA-China ajudaram a reverter a tendência de queda nas taxas dos Treasuries, configurando um ambiente melhor para ações de bancos de modo geral e também para commodities.

“Tal cenário levou gestores e investidores a iniciarem um movimento muito forte de rotação de setores na bolsa paulista”, observou, citando, por exemplo, aumento na demanda por papéis de bancos e vendas de ações com alguma ligação com setor de tecnologia. “Isso começou na semana passada e se acentuou.”

Para efeito de comparação, após encerrar agosto quase estável, com perda de 0,2%, Itaú Unibanco PN já acumula alta de 6% em setembro. Magazine Luiza ON, que subiu 10% no mês passado, contabiliza um declínio de quase 7%.

Para Carlos Daltozo, chefe de renda variável da Eleven Financial Research, o que houve nos últimos dias, provavelmente, foi entrada de capital estrangeiro na bolsa paulista, o que ajuda a explicar o fato de o setor de bancos ser o que mais tem se sobressaído neste começo de mês.

Dados no site da B3 sobre o fluxo de recursos no mercado secundário de ações mostram entrada líquida de capital externo nos dias 4 e 5 de setembro, no total de R$ 634 milhões. No mês, contudo, as saídas ainda superam as entradas em R$ 1,745 bilhão.

No exterior, em Wall Street, o S&P 500 encerrou com quase estável e o Nasdaq cedeu 0,19%, o que ajudou a enfraquecer o Ibovespa, embora o Dow Jones tenha fechado com elevação de 0,14%.

Daltozo observou que, apesar do noticiário recente, o mercado continua aguardando definições sobre a situação comercial entre Estados Unidos e China, oscilando conforme anúncios de ambas as partes. “Fica um pouco nessa tendência lateral”, disse.

A XP Investimentos também destacou em nota enviada a clientes mais cedo que as atenções dos mercados estão voltadas para novas medidas de estímulos dos bancos centrais globais para fazer frente à desaceleração da atividade econômica.

Nesse sentido, Christian Gattiker, chefe de pesquisa do Julius Baer, destacou que o Banco Central Europeu (BCE) será o destaque da semana, com o clímax reservado para a decisão do Federal Reserve no próximo dia 18. “Interessante ver se eles (BCE) são capazes de fornecer algo tangível além da retórica.”

Destaques – Vale fechou em alta de 3,1% e Usiminas PNA disparou 8,1%, em sessão positiva para papéis de mineração e siderurgia na bolsa paulista, tendo de pano de fundo a alta dos preços do minério de ferro e do aço na China, guiada por um movimento de Pequim para aumentar a liquidez e fortalecer sua economia e com expectativas de mais estímulos. CSN teve ganho de 3,2% e Gerdau subiu 5,5%.

Itaú Unibanco PN terminou com elevação de 2,45%, engatando a quarta alta seguida, com os bancos mantendo a recuperação iniciada na última semana. Bradesco PN subiu 1,27% e Santander Brasil Unit apreciou-se 1,57%.

Banco do Brasil ganhou 1,24%, tendo no radar que analisa alternativas para incrementar atuação no mercado de capitais, e que isso pode incluir reorganização da estrutura do banco de investimentos e eventuais parcerias. Na sexta-feira, Reuters noticiou que BB e UBS estão em negociações avançadas para uma joint venture em banco de investimento.
Petrobras PN valorizou-se 1,55%, favorecida pela alta dos preços do petróleo no exterior. A companhia também anunciou nesta segunda-feira o início de uma oferta para a troca de sete títulos antigos por novos com vencimento em 2030 ou recompra dos papéis.

Dólar – O dólar encerrou em alta contra o real ontem, depois de acumular queda de cerca de 1,5% na semana anterior, com agentes do mercado atentos ao calendário de reuniões dos principais bancos centrais globais e à espera de cortes futuros de juros.

O dólar à vista teve alta de 0,46%, a R$ 4,0993 na venda, apesar ter operado em queda durante parte da sessão. Na mínima, a cotação foi a R$ 4,0485, piso intradia desde 22 de agosto. Neste pregão, o dólar futuro tinha valorização de 0,90%, a R$ 4,1050.

A moeda norte-americana registrou na semana passada queda acumulada de 1,512%, primeira desvalorização semanal desde 12 de julho, quando registrou variação negativa de 2,113%. (Reuters)

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Fundos cambiais foram afetados por calmaria

Londres – A desvalorização da moeda da China, o iuan, está alimentando esperanças de um muito esperado aumento de volatilidade nos mercados cambiais, mas qualquer elevação será tarde demais para os fundos cambiais que fecharam este ano – e pode ser pequena demais para trazer esperança àqueles que ainda permanecem.

Operadores de câmbio que lucram mais quando os preços se movem mais rapidamente se consideram prejudicados pela calma prolongada nos mercados cambiais ditada pelas taxas de juros mais baixas e pelos bancos centrais se movendo em sintonia uns com os outros na política monetária.

A depreciação do iuan em 12 de agosto, quando o dólar saltou para acima de 7 iuans, impulsionou as volatilidades implícitas embutidas em contratos de opção de câmbio para máximas em oito meses.

Mas a disparada teve vida curta. Um índice do Deutsche Bank de volatilidade implícita de três meses, ponderado pelas principais moedas, caiu para 7,52, depois de subir para 8,11 imediatamente depois dos movimentos no iuan.

Para fundos cambiais, esse foi mais um episódio de indicadores de volatilidade que voltaram rapidamente à vida e depois desapareceram.

Tais veículos – que se concentram na compra e venda de moedas, futuros e swaps cambiais – viram as oportunidades de ganhar dinheiro diminuírem. No ano passado, houve um fluxo de saída de US$ 2,34 bilhões de fundos cambiais mútuos – o mais forte desde 2015.

A saída tem arrefecido um pouco neste ano, com US$ 159,08 milhões deixando esses mercados de janeiro a julho, de acordo com a empresa de pesquisa Morningstar. Mas o total de ativos líquidos em fundos mútuos em moeda no mundo caiu para US$ 6,86 bilhões, tendo recuado todos os anos menos um depois de alcançar o pico de quase US$ 18 bilhões em 2012.

Agora, com a volatilidade da maioria das principais moedas rondando mínimas recordes, mais gestores de fundos podem se sentir tentados a jogar a toalha.

“Se o público não aceitar, eventualmente você precisa se render”, disse Axel Merk, diretor de investimentos da Merk Investments, que neste verão (no Hemisfério Norte) fechou um fundo cambial voltado ao varejo. Ele descreveu os retornos como “bastante modestos”.
O fundo de US$ 6,7 milhões da Merk foi um dos dez fundos mútuos cambiais a encerrar neste ano, após 17 fechamentos em 2018, disse a Morningstar.

Merk, que gere outro fundo de câmbio, disse que aumentos recentes de volatilidade significaram que este ano está parecendo melhor que 2018, mas acrescentou: “Não é como se nosso telefone estivesse tocando sem parar”.

Hedge funds – que tomam empréstimos e investem em busca de retornos – também foram atingidos: apenas 49 agora negociam ativamente futuros e moedas em moeda estrangeira no mercado interbancário, de acordo com o índice BarclayHedge. O número é inferior aos 145 de 2008 e aos 53 do final de 2018.

Fundos hedge específicos para câmbio obtiveram retornos de 2,38% neste ano, bem abaixo dos retornos de 7,56% em fundos macro, como mostram os dados da Hedge Fund Research. Claramente, aqueles capazes de investir em ativos diferentes poderiam gerar lucros mais altos do que aqueles restritos a moedas.

Esses fundos macro estão cada vez mais se retirando das operações com moedas, concentrando-se em negócios com títulos do governo, dizem pessoas familiarizadas com o setor. (Reuters)