Crédito: SME/Divulgação

RONALDO GUSMÃO*

“Mas, afinal, o que é inovação? Questões sobre a razão de inovar, como inovar,quando inovar, o que inovar, e o que se ganha com a inovação são recorrentes, pois compreender os conceitos não é suficiente. É preciso praticá-los, mas, para isso, é preciso compreender sua dinâmica. De forma simplista, a inovação refere-se ao conhecimento (tácito ou explícito), à informação (dispersa ou não) e à criatividade (algo diferente ou novo), o que pressupõe processo e todo processo deve ser objeto de gestão”.

Criatividade e inovação são fundamentais para o aumento da produtividade, que está essencialmente ligado a produzir mais e melhor, em menos tempo, com menos matérias primas, menos energia, em menor espaço e, mais enfaticamente, respeitando o meio ambiente e a cultura local.

Temos que alcançar índices de produtividade internacional, mesmo que seja da produção local para uso local, pois a competição, queiramos ou não, é global, do sanduíche ao automóvel, do milho ao computador. Mas temos que estar vigilantes ao dumping ambiental e social praticados por outras nações.

Nos “trabalhadores do conhecimento” – termo utilizado por Peter Druker para definir o trabalhador atual, que utiliza suas competências intelectuais, e não as físicas, como principal motor para desempenhar suas funções – a produtividade toma uma dimensão ainda maior, pois inovação é inerente a esses profissionais. Ela está presente em todas as etapas, nos processos, nos negócios, na gestão e nos produtos.

Os trabalhadores precisam ser criativos, se reinventar a cada instante, e isso demanda tempo. É preciso, ainda, ser analítico, o que também exige tempo. E assim o sistema se realimenta, positivamente ou negativamente.

Estamos entrando em uma era na qual o conhecimento e a sua aplicação imediata passam a ser vitais: a sustentabilidade vai exigir um nível de inovação capaz de influenciar até mesmo o nosso modo de ver, de sentir, de desejar e até mesmo de pensar. Estamos falando de mudanças radicais para as próximas décadas.

Neste novo cenário global, no qual a luta pela sobrevivência do ser humano no planeta estará cada dia mais evidenciada, haverá uma competição mais acirrada nos modos de produção e consumo. E é neste novo cenário que precisamos focar agora. Afinal, o tempo será implacável.

A competitividade por novos produtos e serviços que levem em consideração a sustentabilidade do planeta será implacável. A economia criativa e a economia verde irão se encontrar – aliás, já estão juntas em inúmeros empreendimentos, vide o projeto ecomagination da GE.

A economia criativa foca na imaginação e na inovação, que não se traduzem somente em tecnologia, serviços ou produtos inovadores, mas em modelos de negócios, processos e gestão. Veja a indústria do software, como se organiza, produz e distribui seus produtos e serviços. Compare com o Carnaval, que faz parte da indústria da dança.

Ambos são totalmente diferentes no modelo de negócio, no processo e na gestão. A base da economia criativa está nas pessoas, que, orientadas pelo conhecimento desenvolvem uma economia autossustentável, do artesão ao arquiteto da informação.

A economia verde, cujo mundo é esférico e finito, associada à economia criativa, será fundamental para a desmaterialização e a descarbonização da economia tradicional e para o alcance da sustentabilidade do planeta. Já consumimos 30% a mais do que a Terra é capaz de regenerar e, mesmo assim, bilhões de pessoas ainda passam fome e sede diariamente.

*Engenheiro e presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros