Crédito: SME/Divulgação

LUIZ OTÁVIO SILVA PORTELA*

Em matéria de mobilidade urbana, os belo-horizontinos não têm muito do que se orgulhar. O transporte por ônibus é insuficiente para atender a todos em horários de maior movimento, de manhã e à noite. Outro agravante é que o número de automóveis aumenta sem parar e não há como frear esse crescimento. Falta espaço no chão para tantos veículos.

Além disso, os sistemas de transporte de massa atuais em Belo Horizonte, exceto o metrô, agridem o meio ambiente com poluição sonora, visual e, principalmente, atmosférica. Por outro lado, o alargamento das vias é difícil, por ser caro, exigir desapropriações e demandar tempo para que seja concluído.

Por isso, só temos duas alternativas: uma é usar o espaço “abaixo do chão”, evitando desapropriações, cruzamentos com outras vias, congestionamentos acidentes e poluição. A outra é usar o espaço “acima do chão”, com iguais benefícios. Sem considerar os aspectos econômicos e de prazo de execução,o metrô, é a melhor, de maior capacidade, sem poluição visual, atmosférica e sonora. Entretanto, é de alto custo e, dependendo do seu traçado, interferências subterrâneas podem causar uma elevação ainda maior do custo de implantação.

Nesse caso, o veículo a ser utilizado seria o metrô leve, ou metrô elevado, ou monotrilho, que trafegaria em vias elevadas sobre os canteiros centrais ou laterais de avenidas. Em termos de operação, a solução “acima do chão” com utilização do monotrilho ou similar dispensa o operador, sendo totalmente automática e computadorizada.

O metrô leve pode ser implantado sobre canteiros centrais, canteiros laterais e até sobre faixas de estacionamento das vias, sem necessidade de desapropriação de imóveis para alargamento de plataforma; com isso liberam espaço nas pistas de rolamento para os demais veículos. É uma opção ecologicamente correta, não apresenta poluição sonora e poluição atmosférica, por ser de tracionamento sobre pneus de borracha, elétrico ou de levitação magnética.

O metrô leve por ser elevado, permite aos usuários uma visão aérea da área adjacente ao seu trajeto, o que pode ser importante sob o aspecto turístico; e não interfere com a circulação de pedestres, evitando atropelamentos.

O metrô leve por suas características técnicas de traçado e de geometria admissíveis, permite uma facilidade de integração com estruturas existentes (estações rodoviárias, estações de metrô, estações ferroviárias, aeroportos, etc). O metrô leve tem seu custo de implantação (R$ 90 milhões por quilômetro) menor que o do metrô convencional (R$ 300 milhões por quilômetro).

Resta é entender porque o silêncio em relação à busca de novos modelos de transporte de massa para Belo Horizonte. Parece que o sistema está funcionando às mil maravilhas. Mas não está.

*Engenheiro civil e vice-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)