Crédito: SME/Divulgação

CONSTANTINO SEIXAS FILHO*

Todos escutamos falar da revolução 4.0. O que é essa revolução e como ela nos afeta? Quando analisamos a evolução histórica da tecnologia, reconhecemos grandes marcos de transformação. A substituição da tração animal pela máquina a vapor caracterizou a primeira revolução industrial. A lâmpada incandescente de Edson, o motor elétrico de Tesla e o motor a explosão foram os marcos da segunda revolução, que trouxe a luz elétrica, eletrodomésticos e praticidade. A eletrônica, através dos transistores, dos circuitos integrados e dos microprocessadores, a Internet e os robôs foram as tecnologias que assistimos evoluir após a Segunda Guerra Mundial. Essa foi a terceira revolução industrial.

A quarta revolução traz os sistemas cyber físicos, data analytics, inteligência artificial (IA), sistemas autônomos, operação e manutenção preditiva e muito mais. Modelos são usados em todo o ciclo de vida de um produto. Antes de o produto existir, usamos ferramentas para planejar o seu desenvolvimento, definir o design, modelar e criar protótipos e finalmente especificar os sistemas de produção através de ferramentas especializadas, os sistemas PLM – ProductLifecycle Management. O PLM abrevia o tempo de desenvolvimento de um produto e diminui drasticamente os custos de P&D. O protótipo é produzido em uma impressora 3D e fica logo disponível para testes. O PLM não é útil apenas na fase de design, mas durante todo o ciclo de vida do produto, da concepção ao descomissionamento.

Toda atividade após a fabricação e venda do produto faz parte da fase de suporte e é um novo negócio em si. Muitas empresas encaram o novo produto como um contêiner de funcionalidades. O que se paga pelo contêiner inicial é pouco e pode ser até subsidiado. São os aplicativos e produtos adicionais que irão trazer lucratividade ao negócio.

Os equipamentos autônomos levam a robotização ao extremo, substituindo o operador em atividades repetitivas que antes eram consideradas dependentes da capacidade cognitiva humana. Nessa categoria encontram-se as perfuratrizes autônomas, usadas na mineração, os caminhões autônomos para transporte de minério, os trens autônomos, as máquinas que empilham e retomam graneis do pátio, as máquinas agrícolas e alguns tipos de drones. Em todos esses casos não existe operador local ou remoto. Uma vez definida uma tarefa ela vai ser executada até sua conclusão. Observe que não estamos falando do futuro, mas do nosso dia a dia da engenharia.

Quando falamos de sistemas autônomos sempre vem à mente a perda de postos de trabalho na indústria. Se uma mina adota caminhões autônomos, logo pensamos que 500 trabalhadores irão perder seus empregos. Por outro lado, a introdução de novas tecnologias gera muitos empregos em outros pontos da cadeia produtiva. Creio que os computadores geraram muito mais empregos que eliminaram.

Evidentemente a troca de paradigmas requer recapacitação da mão de obra atual e isso tem que ser enxergado pelas indústrias. Tirar pessoas de trabalhos perigosos e repetitivos e colocá-las na função para o qual o ser humano foi projetado, análise e tomada de decisão, requer educação sistemática nas novas tecnologias: cloudcomputing, big data, data analytics, inteligência artificial, Industrial Internet of Things, robótica, estatística multivariada, modelagem 3D e tantas outras. Esse é um desafio excitante, aprender novas técnicas para fazer melhor, o que executamos de forma manual hoje em dia, mas as pessoas precisam de ajuda para alçar esse degrau.

Como as empresas brasileiras se preparam para a Indústria 4.0? O primeiro passo para a empresa ingressar nessa onda é desenvolver o seu Programa de Transformação Digital. Isso envolve levantar as necessidades de negócio de cada área: produção e operações, P&D e engenharia, supplychain, RH, comercial, compras. Uma vez entendidas as necessidades, elas são mapeadas nas diversas soluções digitais disponíveis, definindo projetos que são priorizados e organizados em um roadmap. Um primeiro foco desse trabalho é a excelência operacional dos processos já existentes. O segundo passo consiste no que chamamos de pivotar para o novo, ou seja, buscar alternativas disruptivas para o negócio.

A quarta revolução industrial acontece a ritmo acelerado. Nenhuma empresa pode estar indiferente a esse tsunami de transformação. Quando a empresa entra e o quanto acelera é que irá determinar o seu índice de sucesso e quantos benefícios irá colher.

*Diretor de Offerings para Production&Operations da divisão Industria X.0 – Accenture Latam