Índice de evolução do emprego em Minas recuou 2,3 pontos em junho, segundo a Fiemg - CRÉDITO:ALISSON J. SILVA

A indústria mineira manteve o baixo ritmo no sexto mês do ano e mais uma vez apresentou índices de produção, emprego e utilização da capacidade instalada abaixo do usual. Os números refletem a lenta retomada da economia brasileira e a consequente baixa demanda interna, a elevada carga tributária e as taxas de juros elevadas, conforme os próprios empresários.

De acordo com a Sondagem Industrial de Minas Gerais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em junho, houve queda na produção e o índice chegou a 44,2 pontos. Sobre o mês anterior o recuo foi de 5,4 pontos (49,6 pontos) e em relação ao mesmo mês do ano passado de 9,1 pontos, já que naquela época o índice havia sido de 53,3 pontos.

De acordo com analista de estudos econômicos da entidade, Júlia Silper, os resultados se justificam pelas bases de comparação.

“Em relação ao mês anterior, destacamos o maior número de dias úteis, o que na indústria implica em maior produção. E sobre o ano passado, vale lembrar que o mês havia sido atípico, devido ao retorno à normalidade do transporte rodoviário de cargas após o fim da greve dos caminhoneiros”, explicou.

O índice de evolução do emprego chegou a 47,1 pontos no sexto mês deste exercício, 2,3 a menos que no período imediatamente anterior, apontando um decréscimo mais acentuado. O índice caiu 1,1 ponto sobre junho de 2018.

Da mesma forma, o índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual recuou 4,8 pontos entre maio (43,3 pontos) e junho (38,5 pontos). O indicador caiu 3,9 pontos em relação a junho de 2018 (42,4 pontos).

Segundo a analista da Fiemg, os indicadores têm ficado abaixo dos 50 pontos (valor que separa queda de crescimento) nos últimos meses, evidenciando que o parque industrial mineiro ainda enfrenta dificuldades no processo de recuperação da economia. Segundo ela, os indicadores financeiros das indústrias, divulgados trimestralmente pela federação, evidenciam os resultados aquém do esperado.

“O levantamento mostrou que os empresários estão descontentes com o lucro operacional e com a situação financeira das empresas. O indicador de satisfação com o lucro operacional ficou em 40,6 pontos e recuou 0,2 ponto em relação aos primeiros três meses deste exercício, marcando a terceira queda consecutiva. Já o índice de satisfação com a situação financeira chegou a 47,2 pontos no segundo trimestre, tendo avançado 0,4 ponto frente ao trimestre anterior”, detalhou.

Sobre o acesso ao crédito, os empresários responderam que as condições melhoraram, já que o índice aumentou 3,2 pontos entre os primeiros três meses deste ano e os últimos três, chegando a 42 pontos. Ainda assim, o resultado mostra dificuldade ao acesso.

Além disso, a elevada carga tributária foi apontada como principal problema enfrentado pela indústria (46,5%). O item permanece em primeiro lugar na lista desde o terceiro trimestre de 2015. A demanda interna insuficiente (45,8%) apareceu em segundo lugar e o item taxas de juros elevadas avançou da sétima posição, no primeiro trimestre, para o terceiro lugar na pesquisa atual, com 21,9%.

Otimismo – Mas, conforme Júlia Silper, apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor industrial, os empresários continuam com expectativa de crescimento da demanda e, consequentemente, da compra de matérias-primas para os próximos seis meses. A previsão do número de empregados e as intenções de investimento também avançaram.

A demanda, mesmo com o recuo de 0,6 ponto em relação a junho, sinalizou aumento, conforme índice de 57,7 pontos em julho, o maior para o mês nos últimos oito anos. Sobre a mesma época de 2018 houve alta de 2,6 pontos. Em linha com a perspectiva de expansão da demanda, os empresários antecipam crescimento das compras de matéria-prima, com índice de 55,2 pontos.

O indicador de expectativas do número de empregados mostrou, pela nona vez seguida, perspectiva de aumento das contratações no curto prazo. O índice chegou a 51,4 pontos e também foi o mais elevado para o mês em oito anos. Já o índice de intenção de investimento foi de 51 pontos e foi o mais alto para o mês desde o início da série história, em 2014.

Falta de demanda preocupa, aponta a CNI

Brasília – A falta de demanda interna voltou a ganhar importância entre os principais problemas enfrentados pela indústria ao longo do mês de junho. O percentual de empresários que assinalam essa dificuldade é o maior desde o terceiro trimestre de 2016. Nos últimos seis meses, esse índice aumentou 10 pontos percentuais, chegando a 41,1% dos entrevistados, em junho. Os dados são da Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A produção industrial em junho caiu na comparação com maio. O índice de evolução da produção ficou em 43,4 pontos, abaixo da linha divisória. O índice costuma ficar abaixo dos 50 pontos no mês, o que significa que a queda na produção é esperada entre maio e junho. Porém, o índice de junho de 2019 é o menor para o mês dos últimos quatro anos, superando somente os registrados durante a fase mais aguda da crise econômica brasileira, entre 2014 e 2015.

Outra queda mais intensa também foi verificada no índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual, que caiu 3,9 pontos no mês e foi ao menor valor desde abril de 2017 – com exceção de maio de 2018, mês da paralisação dos caminhoneiros, que afetou fortemente o setor.

O índice de evolução dos estoques ficou em 51,1 pontos, mostrando novo aumento dos estoques de produtos vendidos pela indústria. Esse índice se mantém acima dos 50 pontos desde fevereiro. Valores acima de 50 pontos indicam crescimento do nível de estoques ou estoque efetivo acima do planejado.

A Sondagem de junho confirma que a elevada carga tributária continua sendo apontada pelo setor como o principal problema enfrentado pelas empresas, ainda que seu indicador tenha caído em 1,2 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

Em segundo lugar, aparece a demanda interna insuficiente, cuja assinalação aumentou 3,6 pontos percentuais na comparação com o primeiro trimestre do ano. Trata-se do quarto aumento consecutivo do percentual.

Expectativas – A expectativa de demanda cresceu em meio ponto, para 57,8 pontos, e a expectativa de compra de matéria-prima aumentou em 0,4 ponto para 55 pontos no mês. Pelo segundo mês consecutivo, a intenção de investir manteve-se praticamente inalterada. O índice de intenção de investimento aumentou 0,1 ponto em julho e está relativamente alta. O indicador é 3 pontos maior que o registrado em junho de 2018 e 3,3 pontos superior a sua média histórica. (ABr)