Inflação de julho foi impulsionada pelo aumento de 6,74% no custo da energia elétrica residencial, de acordo com o IBGE - Crédito: Pixabay

Alavancado pela tarifa de energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) registrou aumento de 0,23% no mês de julho. De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo Habitação teve aumento de 1,57%, e impactou o índice geral em 0,26 pontos percentuais (p.p.). Com a maior contribuição no mês, a energia elétrica residencial aumentou 6,74% com impacto de 0,25 p.p.

Por outro lado, o grupo de Transportes foi o que mais impactou negativamente o índice, com deflação de 0,73%, e queda de 3,05% no preço da gasolina impactou o IPCA de julho em 0,17 p.p. negativos. Também tiveram variações negativas os grupos Vestuário (-0,25%), Saúde e cuidados pessoais (-0,23%) e Alimentação e Bebidas (-0,01%).

“A conta de luz foi responsável pelo maior impacto e a maior variação no índice geral, principalmente porque passamos da bandeira verde em junho para a amarela em julho. Já a redução do preço da gasolina ajudou a segurar o IPCA no mês”, afirma o coordenador da pesquisa em Minas Gerais, Venâncio Otávio Da Mata.

Nos demais grupos que registraram variações positivas, o destaque em Artigos de residência (0,87%) foi o aumento dos eletrodomésticos e equipamentos (1,45%) e dos móveis e utensílios (1,11%). Já entre as Despesas Pessoais (0,77%), o aumento das excursões (5,27%) foi o mais relevante.

Entre os que tiveram queda, no grupo Alimentação e Bebidas (-0,07%), a diminuição foi impulsionada pela batata-inglesa (-11,81%), hortaliças e verduras (-10,92%) e tomate (-6,18%). Alguns itens apresentaram aumentos como o mamão (58,55%), as frutas em geral (4,51%) e as carnes (1,48%).

Acumulados – Os reflexos da paralisação nacional dos caminhoneiros em 2018 fizeram com que os resultados acumulados do IPCA em 2019 fossem melhores do que os do ano anterior. Em julho deste ano, a variação acumulada em 12 meses foi de 3,14% na RMBH e, ainda dentro da meta de 4,25% definida pelo Banco Central para 2019, a variação positiva no ano foi de 2,54%. Em julho do ano passado, o acumulado dos 12 meses foi de 4,75% e o do ano estava em 3,39%.

“A base comparativa foi influenciada pela paralisação dos caminhoneiros que aconteceu no final de maio do ano passado e isso refletiu no IPCA dos meses seguintes. Neste ano, se não houver nenhum imprevisto ou fator externo, a previsão é de que o índice pode ficar até abaixo do centro da meta”, explica Da Mata.

No acumulado do primeiro semestre a inflação oficial atingiu 2,54%, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.

IPCA registra alta de 0,19% no País

Rio – Julho registrou inflação de 0,19%, a menor variação para o mês em cinco anos, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua pesquisa de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O destaque ficou no item habitação, com o aumento nas contas de luz. “O item energia elétrica foi o destaque no grupo habitação, com as contas de luz ficando em média 4,48% mais caras para o consumidor”, afirmou o IBGE em nota.

São Paulo teve alta de 7,59% nas contas de luz da região metropolitana, por exemplo. Curitiba apresentou reajuste de 3,18% e em Porto Alegre a energia ficou 3,36% mais cara. Já em Rio Branco, a conta ficou 0,40% mais barata.

Mesmo com a forte alta nessa despesa das famílias, o IPCA de julho foi o mais baixo para o mês desde 2014, quando a inflação ficou praticamente estável, em 0,01%. Em julho do ano passado, o IPCA foi de 0,33%.

Considerados os principais grupos, o maior peso para a alta da inflação foi do grupo habitação. Os demais tiveram impacto praticamente nulo.

Além da conta de luz, outro impacto positivo para a inflação no segmento habitação, que subiu 1,20% em julho, foi a alta em taxa de água e esgoto de 0,73%. Porto Alegre, por exemplo, reajustou suas tarifas em 7,69%, enquanto Recife chegou a 6%.

Já o segmento alimentação e bebidas ficou praticamente estável, variando 0,01% entre junho e julho. Altas em cebola (20,7%), frutas (2,51%) e carnes (1,10%) foram amenizadas por quedas em tomate (-11,28%), feijão carioca (-8,86%), hortaliças (-4,98%, menos 0,01 p.p.) e batata-inglesa (-3,68%).

Esse grupo tem tradicionalmente um peso grande na inflação, porque representa uma parcela importante do consumo das famílias. Com a estabilidade, ajuda a manter a inflação controlada.

Em outro sinal de que consumidores andam com pouca capacidade de consumo, houve deflação nos segmentos de vestuários (-0,52%), saúde e cuidados pessoais (-0,20%) e transportes (-0,17%).

Já nos grupos que apresentaram variação positiva, destacam-se excursão (4,43%) e empregado doméstico (0,24%), ambos no item despesas pessoais. Telefone apresentou alta de 1,46%, reflexo do reajuste de 10% no plano de uma operadora, deixando o grupo de comunicação com 0,57% em julho.

No ano, a variação é de 2,42%, e no acumulado em 12 meses, a inflação está em 3,22%, abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,25%, mas ainda dentro da margem de tolerância.

Na semana passada, o BC promoveu o primeiro corte na taxa Selic, para 6%, em uma tentativa de estimular a economia brasileira, que ainda patina. A expectativa do mercado financeiro é que outros cortes sejam feitos até o final do ano. (Folhapress)

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