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Marcos Bicudo*

A inovação aberta e o movimento das startups têm sido um agente de mudanças implacável nos modelos de negócio hoje maduros e que fazem parte dos grandes conglomerados empresariais. Alguns desses empresários, inclusive, já estão se autointitulando “dinossauros apavorados”, em franco processo de extinção e com negócios que apresentam perda de valor acelerada.

O contraponto, ou até mesmo a contracultura da inovação aberta, é o movimento do intraempreendedorismo. Ao abordar a inovação de forma sistêmica e vendo-a da perspectiva da empresa, vislumbra-se um “copo meio cheio”. Ou seja, não se trata de ações isoladas direcionadas somente ao mercado. Mas sim de um mix de oportunidades conectadas ao ambiente interno de uma organização que já existe e que tem escala, sistemas de back office instalados e grande alcance através de seus canais de distribuição. Nesse sentido, a cultura do empreendedorismo ganha espaço dentro das organizações para que novos resultados possam ser alcançados e estimados.

Esse olhar atento ao desenvolvimento de soluções, por meio do estímulo de empreender a favor da empresa, é chamado intraempreendedorismo. Acredito muito na importância desse processo de colaboração para impulsionar realizações que representam grandes saltos de inovação.

Intraempreendedores buscam, criam, implementam ideias e possuem a capacidade de analisar cenários e encontrar oportunidades. São colaboradores capazes de levar a organização a novos negócios e a transmitir orientações diferenciadas para o desenvolvimento de produtos, serviços, tecnologias, técnicas, enfim, a soluções assertivas.

Esse processo é indispensável às empresas já estabelecidas, pois, ao alcançar determinado patamar de estabilidade, a organização pode perder, ou reduzir, o seu potencial empreendedor. É justamente nesse ponto que a disrupção, trazida pelo protagonismo desses colaboradores, torna-se imprescindível para uma readequação, ou até mesmo a um reposicionamento, no mercado.

O Brasil ainda não “engrossou” a lista dos países que visam ao intraempreendedorismo como forma de crescimento. Muitas companhias nacionais não conseguem enxergar esse viés amplo de inovação.

Temos movimentos pioneiros, e muito interessantes nesse sentido, como da Fundação Dom Cabral, eleita pela 13ª vez consecutiva em 2018 como a melhor escola de negócios da América Latina segundo o Ranking de Educação Executiva do jornal inglês Financial Times.

Em parceria com a Liga de Intraempreendedores, a fundação criou o Centro de Intraempreendedorismo com o objetivo de auxiliar na criação de uma cultura de inovação no ambiente empresarial.

Iniciativas como essa ajudam a fomentar, inclusive, o desenvolvimento econômico do nosso País, já que fortalecem a geração de maior diferencial competitivo às organizações.

E se olharmos para o cenário preocupante, em que ainda transitamos nas consequências de um período de crise, constatamos o quanto é obrigatório encarar esse processo de frente: validando o intraempreendedorismo como chave para a construção de algo realmente novo.

*Presidente da Vedacit