Ideia de que é preciso ter muito cuidado guia a expansão da Maple Bear - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

São Paulo – Não importa se o empresário é experiente e já tem um negócio de sucesso no Brasil. Quando for abrir uma unidade no exterior, deve encarar tudo como se fosse a primeira vez.

“A marca será uma novata no País e terá de começar do zero”, afirma Paula Gomes, coordenadora da área de internacionalização da Apex Brasil – agência que auxilia gratuitamente interessados em fazer investimentos no exterior.

Para ela, um dos principais erros dos empresários brasileiros que investem fora é a autoconfiança, que leva a pular etapas do planejamento.

Antes de tudo, é preciso fazer um profundo estudo de concorrência, mercado e legislação do novo país, incluindo desafios trabalhistas, tributários, jurídicos e normas do específicas do setor.

“Costumo falar que é como se preparar para um campeonato em que você precisa saber tudo do concorrente, do terreno e das regras para desenhar uma boa estratégia de jogo”, afirma.

Para o diretor internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Fabio Khouri, outro erro é não analisar as várias possibilidades de modelo de negócio para a expansão. Buscar alguém para cuidar da implementação de franquias no país escolhido, fechar uma joint venture, formar parcerias e até comprar uma companhia fora são opções para manter no radar.

A escolha do lugar precisa ser criteriosa. Não basta escolher um país para investir com base na proximidade da língua ou por achar que já o conhece o local. “Não é porque você passou férias em Miami que terá um negócio próspero por lá”, afirma Khouri.

Educação – A ideia de que é preciso ter muito cuidado guia a expansão da Maple Bear, rede de educação canadense. Desde que a marca ganhou um masterfranqueado brasileiro responsável pela expansão na América Latina, há dois anos, estudos de mercado estão sendo feitos em países da região.

Por enquanto, a rede conta com três unidades no México, com abertura de filiais na Argentina e na Colômbia previstas para este ano. Todas, por enquanto, são operadas por empresários locais. O objetivo é que a experiência deles seja compartilhada com os brasileiros que pretendem abrir franquias da marca nesses países em 2020.

“Procurar um empreendedor local, testar o modelo e estudar o mercado por dois anos são cuidados que temos para minimizar o risco de perdermos um franqueado que pretende abrir uma primeira unidade fora”, diz o diretor-executivo da Maple Bear para América Latina, Arno Krug.

Para Krug, quanto mais bem estruturada a empresa estiver antes de iniciar uma operação estrangeira, melhor.

“Temos de checar desde a relação com sindicatos e normas locais até fechar parceria com gráficas e fabricantes de ursos de pelúcia [para fazer o urso de 1,5 metro que há na entrada de cada escola].”

Abrir uma unidade no exterior muitas vezes não requer um investimento tão alto quanto se pensa.

Alimentos – Segundo Anelise Stahl, dona da Meu Açaí Express junto com o marido, Marco Martins, abrir uma unidade em Portugal hoje custa 30% mais do que fazê-lo no Brasil.

A margem de ganho e rentabilidade das duas opções, afirma, são semelhantes. “Mas enquanto o custo de aluguel em Portugal é maior, no Brasil pesa mais o custo trabalhista.”

Os empresários gastaram seis meses de estudo e planejamento de mercado para a abertura de uma franquia na cidade do Porto, a pedido de um empreendedor no Brasil.

A inauguração está marcada para o fim deste mês, poucos dias depois da abertura das duas primeiras unidades franqueadas da empresa no Brasil, em Goiânia (GO) e Blumenau (SC). A marca foi criada em setembro de 2018. (Folhapress)