O lítio é utilizado como matéria-prima de baterias para carros elétricos, celulares e tablets - Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Prefeitos de 17 cidades do Vale do Jequitinhonha buscam alternativas para viabilizar a criação de um parque industrial de beneficiamento do lítio na região. É que, com os investimentos de R$ 500 milhões da Sigma Mineração na exploração do minério em Minas Gerais, os líderes municipais desejam ir além e atrair empresas de baterias para carros elétricos, celulares e tablets – que usam o lítio como matéria-prima.

De acordo com o presidente da União dos Municípios do Vale do Jequitinhonha e também prefeito de Ponto dos Volantes, Leandro Santana, o objetivo de atrair para o Vale do Jequitinhonha empresas que produzam esses aparelhos é evitar o exemplo de outras riquezas da região que foram e são exportadas para serem beneficiadas em outros lugares, a exemplo dos diamantes ou do granito.

“O Vale do Jequitinhonha não só não quer ser o vale da pobreza, como também não aceita mais ser só o vale da esperança. Queremos algo concreto e que traga retornos palpáveis para a região, que já é tradicionalmente conhecida por deter o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Minas Gerais”, reivindicou.

Emprego e renda – Ainda segundo o prefeito, apesar de os investimentos já anunciados pela mineradora repercutirem em benefícios para as cidades, os retornos vindos do beneficiamento e da produção dos itens a partir do concentrado de óxido de lítio podem ser ainda maiores. Principalmente no que se refere à geração de emprego e renda, segundo ele.

“Inclusive, sugerimos aos governos federal e estadual que os impostos fiquem com a região, de maneira que possamos transformá-los em benefícios para as comunidades locais a partir de escolas e hospitais, por exemplo”, disse.

Nesse sentido, no início do mês, a União dos Municípios do Vale do Jequitinhonha propôs a discussão dessas e outras propostas. Participaram membros da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os 17 prefeitos do movimento, o presidente da Sigma, Itamar Resende, e o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Vidigal de Oliveira.

Manifesto – Na ocasião, os prefeitos e outras autoridades assinaram o Manifesto do Vale do Jequitinhonha por uma Mineração Sustentável e Responsável, que foi encaminhado aos governos federal e estadual não somente com a proposta da criação de um parque industrial de beneficiamento do lítio na região, mas também com outras reivindicações envolvendo a segurança da exploração mineral.

Presente, o presidente da Sigma garantiu que a expectativa é iniciar a produção da primeira mina, em Itinga, até o início de 2021, e que a atividade não utilizará barragens de rejeitos, mas sim a técnica de empilhamento a seco, uma tecnologia importada da Austrália.

Conforme já publicado, a mineradora obteve as licenças de instalação (LI) e operação (LP) para a produção em Minas Gerais em junho. A planta será construída no município de Itinga e terá capacidade para produção de 240 mil toneladas de concentrado de lítio ao ano.

Há estimativas de que os investimentos para a implantação do projeto, denominado Grota do Cirilo, cheguem aos R$ 500 milhões. Em 2018, foram aportados R$ 100 milhões, e outros R$ 250 milhões estavam previstos apenas para 2019.

Além disso, em princípio, o lítio produzido pela companhia será praticamente todo exportado, já que não existem fabricantes nacionais de baterias de lítio, comumente usadas na fabricação de smartphones, tablets e veículos elétricos. Vale destacar também que a Sigma fechou acordo com a Mitsui, do Japão, para vendas futuras de parte da produção. A geração de empregos diretos deverá chegar a 300 postos.