Desde março, planta de Pedro Leopoldo substituiu todo o uso de combustíveis fósseis por alternativos em sua produção - Crédito: Daniel Mansur Stúdio Pixel

O ano de 2019 será encerrado com otimismo na unidade fabril da LafargeHolcim, localizada em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A empresa deve fechar o ano com a produção de 1,2 milhão de toneladas de cimento, o que significa um crescimento de 22% em relação ao ano passado. Além disso, a planta se destacou nos últimos meses como um case de sustentabilidade no Brasil: desde março, ela substituiu todo o uso de combustíveis fósseis por alternativos em sua produção.

De acordo com o gerente da fábrica, Alexandre Ruas, a planta opera hoje com 50% da capacidade instalada, que é de 2,2 milhões de toneladas de cimento por ano. A meta é chegar 1,5 milhão de toneladas produzidas em 2022. “A perspectiva depende do setor da construção civil. Se o Brasil voltar a fazer grandes obras de infraestrutura, então teremos números melhores que esses”, afirma.

Além de uma produção crescente, a fábrica também se destaca pelo processo de substituição de combustíveis fósseis por energia alternativa. A produção de cimento exige um grande consumo de materiais como coque de petróleo e carvão mineral para alimentar os fornos onde é fabricado o clínquer, matéria-prima do cimento.

Nos últimos meses, na fábrica de Pedro Leopoldo esses combustíveis fósseis foram 100% substituídos por uma mistura de resíduos industriais, que é transformada em energia térmica.

De acordo com o gerente, esses resíduos são pré-processados na Geocycle, negócio do grupo LafargeHolcim que é responsável pelo gerenciamento e a destinação de resíduos industriais e domésticos coletados em diversas companhias no Brasil.

De lá saem os resíduos que serão transformados em uma mistura que, por sua vez, será usada como combustível alternativo em todas as plantas da companhia. A plataforma de pré-processamento da Geocycle fica na mesma área da fábrica de Pedro Leopoldo, o que faz com que a planta seja favorecida em relação à logística.

Das mais de 15 mil toneladas de resíduos coprocessados por mês nas cinco unidades da LafargeHolcim no Brasil, as três fábricas de Minas Gerais respondem por cerca de 60%. A unidade de Pedro Leopoldo sai na frente com 40% desse total. As outras duas plantas mineiras ficam em Barroso, na região Central, e em Montes Claros, no Norte do Estado.

Ruas afirma que o principal ganho desse processo de substituição de energia térmica é ambiental. A estimativa é de que a cada 15 mil toneladas de energia renovável utilizadas na alimentação dos fornos são reduzidas 10 mil toneladas de CO2 emitido. “É importante lembrar que o processo não altera a qualidade do produto. Então, entregamos o mesmo produto, mas com mais benefícios para o meio ambiente”, diz.