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Rogério Machado*

O desempenho da economia é responsável pela venda dos bens duráveis e as motocicletas não fogem a essa regra. Teoricamente, em tempos difíceis, o consumidor deveria buscar alternativas de menor custo operacional, migrando dos automóveis para as motos, o que não aconteceu devido ao grande endividamento das famílias.

Em 2011, a indústria das duas rodas rompeu a barreira dos 2 milhões de unidades produzidas e, de lá para cá, seguiu uma queda livre, até chegar as 882.876 unidades em 2017.

Passados seis anos em marcha a ré, o mercado reage em 2018, registrando uma alta de 17,2% relativos a mais de 1 milhão de unidades produzidas. Entre as 10 fabricas de motocicletas presentes no Brasil, a Honda é responsável por mais de 80% da produção, sendo seguida pela Yamaha, com uma fatia de 14%.

A rotina urbana já impôs certa dependência aos veículos de duas rodas em função de oferecerem ao usuário uma grande redução do tempo de deslocamento em vias cada vez mais congestionadas. Se somarmos a isto a redução drástica do consumo de combustível estaremos no éden da mobilidade.

A enorme capilaridade das duas rodas nas cidades talvez pudesse ser superada pelos drones, mas estes ainda estão por vir.

Massificação – A massificação das motocicletas na logística de cargas leves serviu para orientar o trânsito ao longo de anos, introduzindo protocolos informais. Os motoristas dos automóveis já se habituaram, algumas vezes a duras penas, a abrir espaço para as motos, livrando-as das longas filas nos engarrafamentos.

Esta grande frota de motocicletas profissionais em circulação também atuou como um abre-alas para os usuários de motos e scooters que não vão entregar pizzas e malotes. Os motoboys abriram trilhas urbanas para os motociclistas que visam deslocar-se do ponto A para o ponto B para encontrar a namorada, ir ao banco, ao trabalho, a academia ou a universidade.

Percebemos isto imediatamente ao circular pelas ruas de Belo Horizonte (MG). O acordo de cavalheiros que se observa nas ruas, ainda que heterogêneo, é fruto de um aprendizado pratico de anos, já que não houve educação formal propriamente dita.

Uma estatística da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) indica que os brasileiros utilizaram 27,1 milhões de motocicletas no ano passado, quase 27% de toda a frota circulante de veículos.

Do total de motos, 2,9 milhões circulam em Minas Gerais, ou pouco mais de 10%. Imagine o que aconteceria se estes pequenos veículos fossem substituídos por automóveis e veículos de carga.

As cidades enfrentariam o caos e não teríamos combustível suficiente para abastecer a frota. Em função desses números é possível perceber a necessidade que o setor tem de receber atenção especifica da administração pública, promovendo regras claras sobre estes veículos no cenário urbano e buscando reduzir os acidentes, seja através de educação nas escolas seja, até mesmo, na sinalização das vias publicas.

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Pilotando a Honda CB 250F Twister

Freios – Cinco atrás o Contran determinou um prazo para que as fábricas de motocicletas equipassem seus modelos, a partir de 300cc, com freios mais seguros do tipo ABS ou CBS. O ABS (Antilock Brake System) já e muito difundido nos automóveis e motocicletas importadas de maior cilindrada.

Impede o travamento das rodas e, consequentemente, a derrapagem e eventual queda da motocicleta e do condutor. Um equipamento absolutamente necessário para quem quer circular com segurança.

O CBS (Combined Brake System) funciona da seguinte forma: ao acionar o pedal de freio, uma parte maior da pressão aplicada sobre as pastilhas vai para a roda traseira, outra parte para a roda dianteira. Ou seja acionando simultaneamente as duas rodas.

O freio anterior através da manete direita continua atuando apenas na roda dianteira. Estas mudanças foram gradativas e o prazo chegou ao fim agora, em 2019.

As duas novas versões da Honda CB 250F Twister já estão nas ruas desde o final do ano passado, uma delas é oferecida com o freio CBS e, a outra, com o ABS. Utilizamos esta última para uma avaliação em ambiente urbano e, também, na estrada.

  • Colaborador