Sérgio Moro prevê fortalecimento do Coaf no Ministério da Justiça - REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), afirmou que não acredita que haja uma orquestração no Congresso contra iniciativas do ministro da Justiça, Sergio Moro.

“Nesse momento, eu não vejo isso. Se estivesse totalmente parado (as demandas dele), diria que isso ocorre. A prioridade do governo é a reforma da Previdência”, disse ele, numa referência à proposta tocada pelo outro superministro, o da Economia Paulo Guedes, que tem tido mais êxito em suas iniciativas tanto no Congresso quanto em relação ao governo.

Waldir destacou que o pacote anticrime continua a ser debatido num grupo de trabalho na Câmara e será votado oportunamente – não quis precisar quando – e também já houve senadores apadrinhando o texto para tentar avançá-lo na outra Casa Legislativa.

O líder disse que, no caso da mudança do Coaf, o trabalho do governo será para mantê-lo nas votações nos plenários da Câmara e do Senado na estrutura do Ministério da Justiça – em linha com o que Bolsonaro defendeu após a derrota.

“Tem que analisar que o Parlamento é soberano e cada um colocou a digital da sua decisão”, disse. “Quem votou a favor da retirada do Coaf do Moro está sofrendo um grande desgaste político”, completou.

Procurado para dar entrevista, o ministro não quis se manifestar sobre essas questões. Moro tem encarado esses percalços com naturalidade e não considera que há uma reação de parlamentares a ele, disse uma fonte ligada a ele. O ministro tem avaliado que há resistências a propostas, mas ao mesmo tempo sabe que houve renovação do legislativo.

A avaliação, de acordo com a fonte, é que não haveria uma falta de apoio do Palácio do Planalto a demandas exclusivas de Moro, mas que seria uma questão que envolve ações de outras pastas também.

Internamente, o ministro tem procurado tocar sua agenda, receber parlamentares e sempre dividindo o mérito das ações do governo, publicamente ou por meio de redes sociais – sua conta no Twitter, aberta no mês passado, tem quase 760 mil seguidores. Não há qualquer cogitação de deixar o governo em razão desses reveses, disse a fonte.

Reservado, Moro não tem dado pistas se poderia abreviar sua permanência no governo, ao eventualmente postular sua indicação para a cadeira que será aberta no STF em 2020, com a aposentadoria compulsória do decano Celso de Mello. Já demonstrou simpatia pública pela indicação.

Da mesma forma, poderia almejar a ser sucessor de Bolsonaro. “Não sei o que ele quer. O foco é no trabalho durante os quatro anos de governo”, disse a fonte. (Reuters)