Franco: um bom investimento para pequenos empreendedores

Ter um centro de compras como caminho, e não como destino, é um dos diferenciais dos strip malls, centros comerciais de conveniência para atender ao público local. Diferente de um shopping center, que implica no deslocamento para este fim e em um maior tempo gasto dentro dele, o conceito de um strip mall é trazer um mix de lojas próximo ao consumidor, fazendo com que ele gaste menos tempo nas compras e no trajeto.

Segundo as definições da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em seu Estudo de Mercado Strip malls 2016/2017, este tipo de centro comercial costuma ter no máximo 5 mil metros quadrados, fileira de lojas voltadas ao comércio varejista, geralmente, com um estabelecimento de cada segmento, administração centralizada, estacionamento gratuito, cerca de 16 lojas e horário de funcionamento semelhante ao de shoppings tradicionais. 90% dos strip malls da região Sudeste abrem aos domingos. Prioritariamente, a receita deste tipo de negócio vem do aluguel das lojas.

O engenheiro civil Luiz Franco, diretor de Projetos e Desenvolvimento da Ibipauá Empreendimentos e Soluções Imobiliárias, ressalta que os strip malls são um bom investimento para pequenos empreendedores.

“Trata-se de um conceito americano de descentralização dos comércios nos grandes centros e que veio para o Brasil com muita força. Além do deslocamento e do custo de estacionamento que você tem em grandes centros comerciais, geralmente, eles são muito cheios, você não tem tanta comodidade, o que acaba dando força a esta tendência de investir em pequenos centros comerciais. É um negócio que faz o empreendedor fugir dos altos custos que teriam com grandes centros, por exemplo”, analisa.

Ele também conta que por se tratar de um negócio de baixo investimento em comparação a grandes shoppings, o tempo de construção também é menor, assim como os impactos sociais e ambientais.

“Os terrenos são mais baratos por serem menores. Considerando que o metro quadrado é cerca de R$ 3 mil e o tamanho do centro comercial é em torno de 3 mil a 4 mil metros quadrados, o investidor gasta muito menos do que para administrar um shopping, que tem uma área de pelo menos 50 mil metros quadrados. E o tempo de construção também é menor, de três a oito meses apenas, o que gera menos impacto no cotidiano das pessoas da região e também menos impacto ambiental, diferente dos empreendimentos de grande porte”, detalha.

Em geral, os strip malls são ancorados por pelo menos um grande varejista, como no caso do Gutierrez Mall, que conta com o supermercado Super Nosso e a lanchonete Burguer King, e totaliza apenas seis lojas. Mesmo assim, o gerente-geral do centro comercial, Elias de Souza, conta que entre 1.500 e 2.000 pessoas passam pelo local diariamente.

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Lojas demonstram interesse em participar dos empreendimentos

“Além do supermercado e da lanchonete temos também uma Droga Raia, um salão de beleza, uma barbearia e uma loja de artigos para o lar. O que mantém o empreendimento é o aluguel das lojas. Nosso principal público são as pessoas do próprio bairro e da região, e isso é uma prática comum aqui, de o morador vir no centro comercial e despender pouco do tempo dele, resolver o que ela precisa e ir embora, às vezes um lanche no Burguer King, comprar um pão na padaria do Super Nosso, fazer uma pequena compra”, conta.

Já o Center São Bento, apesar de concentrar 100 lojas, também é considerado um strip mall. No bairro já há 26 anos, ele visa atender a demanda principalmente de um condomínio residencial próximo que tem 288 apartamentos. Segundo seu administrador, Júlio Santana, é ali que a maioria dos moradores faz suas compras e contratam alguns serviços.

“Temos um movimento muito grande em horário de almoço, por causa dos três restaurantes. Há uma queda no movimento nos meses de julho e janeiro porque muita gente viaja, mas a variedade de estabelecimentos que temos dão a estabilidade no negócio durante todo o ano. Não temos somente lojas de produtos, mas também de serviços como advocacia, corretor de seguros, tatuador, dentista”, lembra.