A produção industrial em Minas Gerais mostrou maior dinamismo ao final de 2018, tendo fechado o último trimestre do ano passado com alta de 1%, desempenho melhor do que o nacional, com retração de 1,1% em igual período. Minas também apresentou desempenho positivo na passagem de novembro para dezembro, com avanço de 0,7%, enquanto no País houve ligeiro aumento de 0,2%. E, no comparativo dezembro 2018/dezembro 2017, houve elevação de 1,8% no Estado, mas, no cenário nacional, houve recuo de 3,6%.

“Enquanto observamos no País a perda da capacidade e dinamismo da economia no final do ano, em Minas a situação foi contrária”, pontuou a analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas, Cláudia Pinelli.

No acumulado de 12 meses, entretanto, Minas mostrou retração de 1%, enquanto o País teve alta de 1,1%. Segundo a analista do IBGE, a redução nessa base comparativa em Minas perdeu força em relação a igual período anterior.

O maior dinamismo em Minas foi influenciado principalmente pela expansão na fabricação de bens de capital: o segmento de máquinas e equipamentos teve alta de 24,4% no comparativo de dezembro com igual mês no ano anterior. A indústria extrativa avançou 7,9%, também dando base para a melhora apresentada em Minas ao final do ano.

Segundo Cláudia Pinelli, o setor de máquinas e equipamentos conseguiu resultados positivos mesmo durante todo o período de recessão. Isso pode ter ocorrido porque, mesmo que de maneira tímida, os parques industriais tiveram que se atualizar, demandando o segmento.

Também mostraram desempenho positivo em Minas: fabricação de produtos químicos (6,8%); produtos minerais não metálicos (5,3%); bebidas (4,5%); metalurgia (3,4%); coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (2,8%); produtos alimentícios (2%); e celulose, papel e produtos de papel (0,5%).

As principais quedas vieram de fabricação de produtos do fumo (-26,9%); produtos têxteis (-21,6%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-21,4%); veículos (-16%); e indústrias de transformação (-0,3%).

Brumadinho – Mas, apesar do bom desempenho da produção industrial no fim do último ano no Estado, a analista Cláudia Pinelli pondera que tal tendência pode ser interrompida devido à tragédia com o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, causando ao menos 157 mortes e deixando 165 desaparecidos. Após o desastre, a Vale reduziu a atividade no Estado. “O impacto vai além do setor de mineração. Temos que ver como será a reação ao longo da cadeia de produção”, diz.