Ideia é de que a rota seja uma experiência de reflexão para turistas e devotos de Nhá Chica - Crédito: Divulgação

O trecho da Estrada Real, onde viveu e morreu a beata mineira Nhá Chica, agora é rota turística de peregrinação. O percurso de 220 km vai de Tiradentes a São Lourenço, passando pelas cidades de Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu e Soledade de Minas. A Rota Nhá Chica – Caminho das Virtudes é um projeto do Sebrae Minas.

Analfabeta e filha de escrava, Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, pequeno distrito de São João del-Rei. A beata viveu a maior parte da vida em Baependi, no Sul de Minas, onde dedicou-se aos mais necessitados, ficando conhecida como a “mãe dos pobres”. Desde a sua morte, em 14 de junho de 1895, vários milagres e graças são atribuídos a ela. Esses relatos de cura por intercessão sem explicação científica foram decisivos para a sua beatificação em 2013.

Em devoção a Nhá Chica, anualmente, centenas de pessoas fazem peregrinação rumo a Baependi (cidade onde a religiosa morreu) em agradecimento às graças alcançadas. A caminhada é por uma estrada de chão com paisagens exuberantes de cachoeiras, grutas, mirantes, serras e represas, que inspiraram o Sebrae Minas, em parceria com as prefeituras de nove cidades mineiras, a desenvolver um projeto de promoção turística regional em homenagem a beata mineira.

O trabalho do Sebrae Minas de desenvolvimento da rota teve início há dois anos, com ações de governança, pesquisas e levantamentos dos atrativos turísticos e histórico-cultural, roteirização e capacitação dos meios de hospedagem e de alimentação fora do lar da região.

“Queremos que a Rota Nhá Chica – Caminho das Virtudes seja uma experiência de reflexão para turistas e devotos, e que ofereça uma infraestrutura adequada que estimule o aumento do fluxo turístico na região, e consequentemente, a ampliação das oportunidades para desenvolvimento dos pequenos negócios locais e a geração de emprego e renda para a população”, justifica o superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha.

Além de ser um passeio de fé e reflexão, passando por diversas capelas, igrejas e santuários, a rota desperta a atenção dos turistas pelos atrativos gastronômicos, naturais, de aventura e histórico-culturais, podendo o trajeto ser feito a pé, de bicicleta, moto, cavalo ou carro.

“A ideia é que hotéis, pousadas, bares, restaurantes localizados ao longo do percurso ofertem produtos e serviços de qualidade e que estejam preparados para serem pontos de acolhimento, oferecendo conforto e segurança aos peregrinos e turistas”, explica o superintendente do Sebrae Minas.

Vale lembrar que a caminhada dura em média nove dias, em um ritmo aproximado de 20 km/dia, e pode ser feita em qualquer dos sentidos, tanto de Tiradentes a São Lourenço quanto de São Lourenço a Tiradentes. O trajeto é dividido em 11 trechos, de 11km a 30km cada percurso, que receberam os nomes das virtudes atribuídas à Nhá Chica: castidade, prudência, fé, humildade, fortaleza, justiça, pobreza, obediência, caridade, esperança e temperança.

Até o final do ano, a rota será sinalizada com placas e avisos sobre o significado das virtudes atribuídos a beata mineira. Haverá ainda um site com todas as informações sobre o percurso e ainda um guia impresso que vai orientar turistas e peregrinos sobre as condições da caminhada em cada trecho, distância, tempo necessário, inclinação do terreno, equipamentos de segurança, serviços disponíveis nos municípios e estabelecimentos para alimentação e hospedagem. (ASN)