Na avaliação por número de viagens, os produtos farmacêuticos e as peças automotivas são destaques no levantamento - Crédito: CHARLES SILVA DUARTE / ARQUIVO DC

Para entender o funcionamento do fluxo do transporte de cargas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e, a partir daí, propor soluções efetivas para o trânsito, a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH) e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) elaboraram o Relatório da Matriz Origem e Destino de Cargas.

O estudo foi desenvolvido a partir de dados fiscais da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), como notas fiscais, conhecimentos de transporte e manifestos eletrônicos de cargas, com base em informações de 2017. O diagnóstico do impacto do fluxo dos veículos no trânsito e a geração de simulações com dados históricos para avaliar tendências para o futuro vão colaborar na elaboração do Plano de Mobilidade da RMBH, que tem como eixos o transporte público, o sistema viário e a logística de cargas.

Os resultados do levantamento apontam que a mineração é o setor que mais transporta produtos na RMBH em termos de peso. Já na avaliação por número de viagens, os produtos farmacêuticos e as peças automotivas são destaques. O principal destino dos produtos que saem da região metropolitana é São Paulo, que também tem forte interação na entrada de itens. Além do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a região Sul do País também registra grande fluxo de produtos com a RMBH.

O coordenador do relatório, Charliston Marques Moreira explica que a matriz foi desenvolvida para desenvolver um diagnóstico do setor de transporte de cargas na RMBH a partir da localização das empresas, fluxo de cargas e de caminhões.

“Com as informações sobre o tipo de veículo utilizado, o peso total transportado pelos caminhões e o tipo de carga é possível identificar os corredores e as atividades econômicas que estão sendo transportadas ali. Isso permite a definição de políticas bem específicas inclusive para diagnosticar a vocação econômica de cada trecho da região”, afirma.

Inédito no Brasil, o trabalho foi apresentado para os agentes envolvidos na economia da RMBH durante o desenvolvimento da matriz. Todo o processo foi acompanhado pela indústria, representada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), pelo comércio com representação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) e pelo setor de transporte com a participação do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado Minas Gerais (Setcemg).

“Fizemos várias reuniões e apresentações para os setores econômicos de Minas Gerais, que identificaram aderência do trabalho com a realidade de seus respectivos setores no Estado. Além disso, o estudo foi apresentado também para o Banco Mundial, para a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil, a Polícia Militar e também para representantes da sociedade no geral”, comenta.

Outra potencialidade do Relatório da Matriz Origem e Destino de Cargas é a possibilidade de realizar diagnósticos de impactos ambientais por meio da estimativa de consumo de combustível e emissão de poluentes pelo transporte de cargas. A matriz permite ainda mapear a circulação de cargas perigosas na região, contribuindo para a definição de políticas de prevenção e atendimento de acidentes com veículos que transportem esse tipo de produto.

“Entendendo o funcionamento do fluxo do volume de cargas na RMBH é possível identificar o deslocamento de cargas perigosas e também estimar o custo para tentar amenizar a emissão de poluentes e avaliar como é possível atuar para essa redução”, diz Moreira.
Dando continuidade ao trabalho, a ARMBH ficará responsável por elaborar a matriz baseada nos dados de 2018. O planejamento é construir uma nova matriz anualmente baseada nos dados atualizados disponíveis.