Com mais insetos em virtude do clima, trigo europeu pode ser prejudicado - Francisco Borreiro/Divulgação

São Paulo – A moagem de trigo no Brasil cresceu 3,4% no ano passado ante 2017, para 12,2 milhões de toneladas, e a expectativa é de que volte a se expandir em 2019 diante do cenário de recuperação econômica, além de uma provável maior oferta, informou ontem a associação da indústria Abitrigo.

“A tendência neste ano é que, se a economia voltar a crescer mais do que cresceu no ano passado, a demanda aumente e a expectativa de crescimento na moagem se efetive”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), embaixador Rubens Barbosa, durante entrevista coletiva em São Paulo.

Para ele, contudo, a expansão no processamento de trigo não deve ser tão expressiva, já que a economia brasileira “não vai explodir”. Barbosa não fez uma projeção concreta para a moagem do cereal em 2019.

O mercado aposta em um crescimento de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, conforme a mais recente pesquisa Focus do Banco Central (BC), em meio a perspectivas de reformas macroeconômicas, como a da Previdência. Mas outro fator que tende a contribuir para a moagem de trigo é a oferta.

Na semana passada, a consultoria INTL FCStone, por exemplo, projetou um salto na produção nacional de trigo neste ano, graças a uma melhora na produtividade após problemas climáticos em safras anteriores.

Nesse sentido, Barbosa voltou a defender a Política Nacional do Trigo, um conjunto de medidas elaborado pela Abitrigo visando a expandir a produção brasileira do cereal. O documento, divulgado no ano passado, já foi entregue à ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

“O objetivo da Política Nacional do Trigo é ampliar a produção nacional de trigo a médio e longo prazos. A grande vantagem é que vamos corrigir uma situação importante para o Brasil: o trigo é o único grão que é importado. O fato de depender do exterior é que tem um gasto muito grande”, afirmou o embaixador, destacando que segue como defensor do mercado livre.

O Brasil é um dos maiores importadores globais do cereal.

Moagem por regiões – Segundo a Abitrigo, a área Norte/Nordeste respondeu pela moagem de 3,71 milhões de toneladas de trigo no ano passado.

O Paraná moeu 3,47 milhões, Santa Catarina/Rio Grande do Sul, 2,17 milhões, São Paulo (1,65 milhão) e Centro-Oeste/Minas Gerais/Rio de Janeiro/Espírito Santo (1,16 milhão).

Do total moído, 56% vai para panificação; 26% para massas, biscoitos e outros produtos da indústria; 11% para o varejo; e 7% para demais segmentos. (Reuters)