Créditos: Adriano Machado/REUTERS

Brasília – A decisão de prender preventivamente o ex-presidente Michel Temer se baseou em suspeitas calcadas numa delação premiada e não existem provas que a sustentem, disse nesta quinta-feira o advogado Thiago Machado, que representa Temer.

Machado negou ainda que o ex-presidente seja o chefe de uma organização criminosa, como afirmaram procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro durante entrevista coletiva sobre a operação Descontaminação, que prendeu o ex-presidente.

O advogado disse ainda que Temer está tranquilo e que o ex-presidente confia na Justiça.

O MDB, partido de Temer e Moreira, lamentou, em nota, a “postura açodada da Justiça” após a prisão do ex-presidente, e disse que o pedido ocorre “à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade” por parte de Temer e de Moreira Franco.

O partido disse ainda na nota esperar que a Justiça “restabeleça liberdades individuais, presunção de inocência, direito ao contraditório e de defesa”.

A defesa do ex-ministro Moreira Franco manifestou “inconformidade” com o decreto de prisão.

“Afinal, ele encontra-se em lugar sabido, manifestou estar à disposição nas investigações em curso, prestou depoimentos e se defendeu por escrito quanto necessário”.

A prisão também repercutiu no Congresso Nacional. O líder do PSL – partido do presidente Jair Bolsonaro – no Senado, Major Olimpio (SP), afirmou que o Brasil está mudando.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou o que descreveu como eternização das prisões preventivas. “Nas outras democracias do mundo, pelo que me consta, se faz todo um processo e o condenado vai preso. Aqui as pessoas vão sendo presas e as preventivas se eternizam”, disse. (Reuters)