Principal índice acionário do Brasil atingiu 102.243 pontos ontem e a movimentação financeira alcançou R$ 16,505 bilhões - Crédito: REUTERS/Paulo Whitaker

São Paulo – A volta de negociações presenciais entre China e Estados Unidos deixou investidores mais aliviados ontem. Segundo representante do governo americano, Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, e Liu He, vice-presidente da China, conversaram ao telefone e marcaram um encontro presencial em Washington.

O Ibovespa terminou o pregão em alta de 1,03%, a 102.243 pontos, maior patamar desde 13 de agosto. O giro financeiro foi de R$ 16,505 bilhões, dentro da média diária para o ano.

A data não foi definida, mas o Ministério do Comércio da China disse que a visita a capital americana pelas principais autoridades de Pequim estava marcada para o início de outubro.

“Esse novo desenvolvimento não altera a desconfiança entre as duas maiores economias globais, que seguem sem avançarem na direção de uma solução estrutural para as suas principais diferenças, mas traz um alívio adicional aos mercados no curto prazo”, afirma relatório da Guide Investimentos.

Segundo porta-voz do Ministério do Comércio da China, o país não irá retirar o processo contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) iniciado nesta semana devido às tarifas de importação impostas pelos americanos.

“Agora, com a imposição de novas tarifas esperada em outubro e dezembro, resta saber se autoridades sino-americanas terão a capacidade de avançar nas negociações desta vez, ou se no momento o foco maior é em manter a estabilidade dos mercados financeiros e reduzir o sentimento de incerteza que assolam as duas maiores economias mundiais”, diz o documento da Guide.

O alívio da tensão comercial se somou a fortes dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O indicador calculado pela empresa ADP mostra alta de 38% na criação de empregos em agosto, indo ao maior patamar em quatro meses.

O número é uma prévia da quantidade de funcionários na folha de pagamentos de empresas nos EUA, que será divulgado amanhã.

Com o cenário positivo, as bolsas de tiveram a segunda sessão de alta seguida. Dow Jones subiu 1,41%, S&P 500, 1,30% e Nasdaq, 1,75%.

No Brasil, o otimismo externo se somou a negativa do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de rever o teto de gastos.

Um dia depois de ter sinalizado apoio à revisão da emenda constitucional que congela os gastos do governo, Bolsonaro voltou atrás e disse nesta quinta apoiar a manutenção da norma.

A bolsa brasileira também foi impulsionada pela fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que a inflação está sob controle e bem ancorada, com espaço para novos cortes na taxa básica de juros. (Folhapress)

Dólar tem leve alta frente ao real e atinge R$ 4,109

São Paulo – O dólar encerrou em leve alta frente ao real ontem, após duas sessões consecutivos de perdas, em dia marcado por otimismo na cena externa diante de notícia de que Estados Unidos e China vão retomar as negociações comerciais de alto nível.

O dólar à vista teve alta de 0,11%, a R$ 4,1098 na venda, depois de operar em queda durante a maior parte da sessão. Na mínima intradia, a moeda norte-americana chegou a tocar R$ 4,0700 na venda. O dólar futuro de maior liquidez mostrava valorização de 0,16%, a R$ 4,1070.

China e Estados Unidos concordaram nesta quinta-feira em realizar negociações comerciais de alto nível no início de outubro em Washington, em meio a temores de que uma crescente guerra comercial possa desencadear uma recessão econômica global.

A notícia elevou o ânimo dos investidores, que voltaram a considerar a possibilidade de algum tipo de acordo entre os dois países, como a suspensão de tarifas por um tempo.

“É o segundo dia de boas notícias no cenário externo, e o mercado tende a ficar um pouco mais positivo. No entanto, é necessário considerar que ainda há uma ponta de incerteza, e isso acabou pressionando ao final do pregão”, afirmou Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

As moedas emergentes pares do real, como rand sul-africano e lira turca, também se desvalorizavam frente ao dólar, após terem registrado ganhos durante o dia. Contra uma cesta de moedas, a moeda norte-americana tinha leve desvalorização de 0,04%, a 98,407.

Para Bandeira, o real ainda sofreu leve pressão vinda da Argentina, que limitou parte das perdas do dólar frente à moeda brasileira.

O candidato presidencial de centro-esquerda da Argentina, Alberto Fernández, disse ontem que seu governo honrará as dívidas do país caso seja eleito, mas não às custas da população.

Projeções – Estrategistas do Citi passaram a apostar na queda do dólar ante o real, com um alívio nas tensões políticas e comerciais globais e a percepção de que o pior do contágio da crise argentina já passou, conforme nota divulgada ontem.

Para os profissionais, o real teve reação limitada às notícias da reestruturação da dívida e da imposição de controle de capitais no vizinho latino-americano.

O Citi disse ainda que o real amarga o segundo pior desempenho em relação ao dólar dentre seus pares emergentes desde o resultado das eleições primárias de agosto na Argentina, melhor apenas que o fragilizado peso argentino.

A divisa brasileira pode ter suporte também pela expectativa de fluxos decorrentes de privatizações e venda de ativos que devem ocorrer no quarto trimestre no Brasil.

Em agosto a cotação saltou 8,51%, maior alta mensal desde setembro de 2015 (9,33%). A disparada levou algumas instituições a revisar para cima as estimativas para o dólar. (Reuters)