As ações da Instituição se orientam por diferentes frentes, como o viveiro de mudas - Crédito: Divulgação

A Fundação Renova divulgou, ontem, o balanço de ações de reparação e compensação do rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, ocorrida há quase quatro anos em Mariana, na região Central do Estado. Até agosto deste ano, foram destinados R$ 6,68 bilhões em indenizações e ações de recuperação do meio ambiente.

Apesar do montante de recursos já aplicados, o processo de reassentamento das famílias é lento e a expectativa é de que ele finalize no fim de 2020, quando a tragédia completará cinco anos.

De acordo com o presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, as ações da Instituição se orientam por diferentes frentes, como tratamento e monitoramento das águas do rio Doce; indenizações às famílias atingidas e ações de desenvolvimento econômico local. Dos R$ 6,68 bilhões aplicados até o momento, R$ 1,84 bilhão foi em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para 319 mil pessoas.

A frente é uma das mais complexas, pois há dificuldades diversas, como reconhecimento de propriedades irregulares e de atuações informais, como pescadores não formalizados ou que se dedicavam a atividades de subsistência. Para isso, inclusive, a Fundação criou o projeto Pescador de Fato, que visa dar visibilidade àqueles pescadores, que apesar de não terem documentos, atuavam dentro da legalidade.

Além das indenizações, também foram aportados R$ 275 milhões na construção dos reassentamentos destinados aos moradores de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, que são subdistritos de Mariana, além de Gesteira, que é distrito de Barra Longa.

Reassentamentos – As obras mais avançadas são as de Bento Rodrigues, onde as casas começaram a ser construídas em julho deste ano e a perspectiva é atender 225 famílias. Já em Paracatu de Baixo, 140 famílias serão reassentadas, mas a fase ainda é de obras de infraestrutura. Em Gesteira, o terreno foi comprado e o projeto está sendo discutido com as 37 famílias que serão indenizadas.

Questionado sobre a demora desse processo de realocação das famílias, o presidente admitiu que é, de fato, um longo período, mas lembrou que isso é fruto de um método que considera a participação dos envolvidos.

“É um processo coletivo e colaborativo que é, sim, mais demorado, mais complexo, mas também mais legítimo. Acreditamos que é melhor discutir casa por casa, levar em conta a história dessas pessoas com sua terra e, assim, dar a elas algo mais parecido com o que elas tinham”, diz. A expectativa é de que os reassentamentos estejam prontos até o final do ano que vem.

As ações compensatórias da Samarco ainda contemplam recursos destinados ao desenvolvimento econômico local. Até o momento, foram destinados R$ 1,4 bilhão a fornecedores locais que tiveram seus negócios afetados pelo cenário de destruição, tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo. Além disso, R$ 40 milhões foram disponibilizados para o Fundo Desenvolve Rio Doce, que financia microempresas e empresas de médio porte de Minas Gerais a partir de empréstimos de até R$ 200 mil.

Na frente de recuperação da água do rio Doce, uma das principais apostas da Fundação está no programa de monitoramento. De acordo com o presidente, há 92 pontos do rio sendo monitorados, o que permitiu o levantamento de 6 milhões de dados.

“Hoje, o rio Doce é o rio mais monitorado do Brasil. E são esses dados que mostram que qualidade da água voltou ao nível de antes do rompimento da barragem”, afirma. Ainda nessa frente, a Fundação destinou R$ 500 milhões a programas de saneamento em 39 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.