Crédito: arquivo pessoal

BRUNO DE LACERDA*

Você pode estar se perguntando: O que é esta tal de Foodtech? É de comer? Sim, você parcialmente acertou! Mas calma, vou explicar melhor a seguir.

Porém, antes vamos refletir! Já parou para pensar na quantidade de alimentos que consumimos por ano? Imagine então o desafio para alimentar bilhões de pessoas ao redor do mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), até o fim do ano de 2050, a produção mundial de alimentos deveria aumentar aproximadamente 70% para suprir a necessidade da população daquela época.

Isso significa muito. A fome não está totalmente erradicada, mas morrem mais pessoas atualmente por obesidade do que por desnutrição. Corremos o risco de o planeta entrar em colapso pela falta de alimentos. Precisamos alinhar todas as partes da cadeia alimentar para produzir e consumir de maneira mais sustentável.

Outro fato corrobora com este problema. A taxa de natalidade é muito superior à de mortalidade, o que indica mais pessoas habitando o planeta e demandando comida. Concomitantemente, a expectativa de vida só aumenta, somos cada vez mais seres longevos.

Aí que entram em cena as Foodtechs. Food significa, em inglês, comida. Tech é tecnologia. Eis que surge o conceito inovador de alimentos e tecnologia por meio das startups, a favor da construção de um novo mercado mais inteligente, saudável, sustentável, dinâmico, ágil e eficiente.

No Brasil, o movimento ainda é incipiente, mas já temos empresas mobilizadas e faturando alto. A principal foodtech nacional, ou foodservice (ambos estão diretamente associados) é a iFood.

A startup de delivery é o primeiro unicórnio do segmento foodtech no Brasil. Unicórnio é o nome dado a startups com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão.

A empresa está em busca constante de soluções inovadoras. No Carnaval de 2019, testou a entrega de comida por meio de drones. A ação viralizou e foi pioneira no Brasil. Agora também utiliza patinetes na região da avenida Paulista, em São Paulo, com entregas mais rápidas e sustentáveis.

No segmento de bebidas, especificamente de cervejas, uma empresa brasileira criou a primeira cerveja instantânea do mundo. Após nove meses de estudos e pesquisas, a cervejaria Pratinha, de Ribeirão Preto (SP), desenvolveu a Pratinha Magic Booze, um sachê que, ao ser misturado a um copo de água com gás, rende 250 ml de cerveja tipo IPA (India Pale Ale).

A inovação não para por aí. Já estão realizando testes para cápsulas de cerveja em máquinas domésticas.

Segundo Tatiana Druve, produtora de cervejas artesanais e pós-graduada em Tecnologia Cervejeira, a inovação em cervejas instantâneas pode revolucionar o mercado cervejeiro principalmente no quesito logística. Com o volume drasticamente reduzido, o transporte pode ser efetuado em embalagens Post Mix e Kegs em caminhões refrigerados, o que mantém a qualidade da cerveja até o consumidor final.

A adesão a essa nova forma de produzir e consumir alimentos cresce tanto que já existe até um movimento bem interessante por aqui. A organização Foodtech Movement tem como objetivo reunir pessoas, empresas, profissionais e entusiastas que estejam dispostos a encarar o desafio de estabelecer novas soluções para um futuro da alimentação mais inclusiva e sustentável. Se você se interessa pelo tema, vale a pena acompanhar a organização e contribuir.

Hambúrguer de vegetais – Algumas empresas ao redor do mundo já estão produzindo hambúrguer feito de vegetais, com gosto e textura idêntica da carne animal.

As próprias gigantes Macdonald’s e Burguer King já possuem o seu hambúrguer vegetal.

No Brasil, uma empresa anunciou a produção e comercialização de um hambúrguer feito de plantas, que imita a carne de verdade. A startup Fazenda do Futuro promete revolucionar o mercado através de seus burgues feitos a partir de proteína isolada de soja e grão-de-bico. O produto é chamado de Futuro Burguer.

A startup chilena NotCo, começou a vender maioneses sem ovos. Quando iríamos imaginar a tradicional maionese sem ovos, incrível, não é mesmo? Em apenas oito meses já fisgou 8% do mercado chileno. O produto chega agora ao Brasil, em parceria com a rede Pão de Açúcar.

E eles não param por aí. Em breve, virão sorvetes e leites também preparados sem a proteína animal. Definitivamente a forma de produzir e consumir alimentos já não é mais como antes.

E não se assuste. Impressoras 3D que produzem comida já são uma realidade. Existem modelos que utilizam alimentos como matéria-prima. Algumas moldam comidas prontas, outras são capazes de imprimir, cozinhar e praticamente servir o prato pronto. E tem mais! Impressoras prometem produzir alimentos com embalagens comestíveis, com até dez vez mais nutrientes e proteínas que os alimentos tradicionais. São os considerados super alimentos.

E olha que loucura! Pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) estão desenvolvendo um macarrão que muda de forma, por meio da impressão em 4D. Produzido de forma plana, ele reage com a água quente e se transforma em diferentes formatos, que já vêm pré-definidos.

Curioso para experimentar? Eu também.

Isso é apenas o início de uma nova forma de produzir e consumir alimentos. Muita novidade há por vir. Pode preparar a sua pipoca e acompanhar, pois o futuro já começou!

Até a próxima.

*Empreendedor, professor, mentor em programas de aceleração de negócios de impacto, consultor de marketing digital, inovação e transformação digital